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SC: sindicato de empresas de ônibus é invadido em protesto

Os funcionários foram pegos de surpresa e retiraram equipamentos às pressas

4 jul 2013 - 13h47
(atualizado às 13h57)
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A Frente de Luta pelo Transporte divulgou uma nota convocando a população a tomar todos os terminais de transporte
A Frente de Luta pelo Transporte divulgou uma nota convocando a população a tomar todos os terminais de transporte
Foto: Divulgação

Integrantes da Frente de Luta pelo Transporte Público de Florianópolis (SC) ocuparam a sede do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano (Setuf) da cidade no início da tarde desta quinta-feira. Um ato público estava marcado para o final da tarde, mas cerca de 60 jovens se "anteciparam"  e invadiram o local. Eles realizavam uma batucada na sede do órgão.

Protesto contra aumento das passagens toma as ruas do País; veja fotos

Os funcionários foram pegos de surpresa e retiraram equipamentos às pressas para deixarem a sede do Setuf. O ato era acompanhado pela Guarda Municipal e Polícia MIlitar. A Frente de Luta pelo Transporte divulgou uma nota convocando a população a “tomar todos os terminais” de transporte na tarde desta quinta. Os manifestantes também chegaram a informar que irão dormir na sede do Setuf, localizada ao lado do principal terminal de ônibus de Florianópolis, o Ticen.

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Na nota, a Frente ainda informa que o ato teria sido promovido diante do “descaso” da prefeitura e de órgãos públicos na questão da aplicação da “tarifa zero” para os estudantes. “Decidimos ocupar o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Florianópolis, promovendo um amplo debate sobre a privatização dos terminais urbanos e do sistema de transporte coletivo”, afirma a nota.

“Nos negamos a continuar reféns destas empresas que exploram um serviço que deveria ser público e atender aos interesses da população, ao invés desta meia dúzia de empresários que lucram sobre nossos deslocamentos diários", completou o movimento. Os manifestantes realizaram passeatas na semana passada e promoverão um ato no início da noite desta quinta.  

“Não precisamos nem queremos mais que um sindicato patronal esteja no centro da gestão do transporte público da cidade. Os rumos do transporte coletivo da cidade devem ser decididos pela população que o utiliza, e que exige um serviço de qualidade, acessível a todos e todas, sem catracas que limitam nosso direito à cidade”, afirmam eles.

A tarifa em Florianópolis custa R$ 2,90 para pagamento em dinheiro e R$ 2,70 para os usuários que adquirem cartões-passe. No mês passado, a prefeitura negou o pedido de reajuste dos valores feito pelas empresas após uma paralisação de motoristas e cobradores, mas admite que não pode atender a reivindicação de tarifa zero.

Entre os pedidos dos manifestantes também está a redução imediata da tarifa e a criação de um grupo de trabalho deliberativo visando o “barateamento sistemático da tarifa até a tarifa zero”.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País

Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Especial para Terra
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