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Roda-gigante em SP divide moradores; projetos do tipo se espalham pelo Brasil

Iniciativas inspiradas na London Eye também chegaram ou estão planejadas para Rio, Balneário Camboriú, Porto Alegre e Foz do Iguaçu

16 out 2020
20h14
atualizado às 22h41
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Inspirados na London Eye, na Inglaterra, projetos de grandes rodas-gigantes ganham espaço em cidades brasileiras, com elogios e também insatisfação de parte dos moradores do entorno. O primeiro foi inaugurado em 2019 no Rio, mas há previsão de semelhantes em Balneário Camboriú (SC), Porto Alegre, Foz do Iguaçu e São Paulo.

A roda gigante paulistana, prevista para o fim de 2021, será instalada dentro do Parque Cândido Portinari, nas proximidades de bairros de classes média e alta da zona oeste, como Alto dos Pinheiros, Vila Leopoldina e City Boaçava. Entre a população, a novidade divide opiniões, recebendo tanto críticas por um possível aumento de circulação de pessoas de outras regiões quanto elogios daqueles interessados em frequentar a atração.

A variedade de opiniões ocorre até mesmo dentro de associações de bairro, como a Associação dos Amigos de Alto dos Pinheiros (SAAP). Representante da entidade no conselho dos Parques Villa-Lobos e Portinari, a psicóloga Maria Helena Bueno, de 77 anos, não gostou da novidade. "Eu e o representante da SAB (Sociedade Amigos do Boaçava) manifestamos nossa discordância em virtude do provável impacto na vizinhança."

Já a arquiteta Ignez Barreto, de 66 anos, nova representante da associação no conselho dos parques acredita que o debate sobre a iniciativa foi prejudicado pela pandemia, mas elogia. "Me pareceu maravilhoso, muito bem feito e profissional, de grande envergadura, que deverá se transformar num ponto turístico relevante para a cidade", diz.

"A localização exigirá uma solução de acesso com mais alternativas, para conectar a atração ao entorno, bem como um estudo para equacionar a capacidade de estacionamento necessária", afirma. "A cidade carece de atrações abertas a todos os públicos. E, num espaço público, é importante que assim seja."

Proposta virou alvo de piadas e críticas também na intenet

Na internet, o tema também virou alvo de piadas, especialmente por estar perto do Rio Pinheiros, conhecido pela poluição e presença de insetos. "Provavelmente será movida por pernilongo", brincou um perfil em rede social. "Até dentro do metrô de Pinheiros, quase no centro da terra, tem os malditos", completou outro.

Em uma publicação do Estadão sobre o espaço na internet, um comentário dizia apenas "imagina a fila da ralé". Esse tipo de declaração fez com que internautas lembrassem de outras manifestações nos últimos anos envolvendo bairros nobres, como a de parte dos moradores de Higienópolis, no centro expandido, contra uma estação de metrô e o recente inquérito aberto por um promotor por causa do barulho de uma escola pública em Pinheiros, também na zona oeste.

O empreendimento de São Paulo tem previsão de inauguração em 2021, dentro de um pacote de intervenções de “revitalização” do Rio Pinheiros
O empreendimento de São Paulo tem previsão de inauguração em 2021, dentro de um pacote de intervenções de “revitalização” do Rio Pinheiros
Foto: Concorrência nº 02/2020/CPP/Reprodução / Estadão

Sobre a polêmica com moradores, o Estadão também procurou a Sociedade Amigos do Boaçava (SAB), que não quis se pronunciar sobre o tema. Na quinta-feira, ela afirmou a uma reportagem do portal G1 que solicitaria um estudo de impacto, pois considerava o estacionamento do parque insuficiente para atender o possível aumento do fluxo de frequentadores.

Objetivo é atrair investimento, diz governo Doria

Com 90 metros de altura, o empreendimento de São Paulo tem previsão de inauguração em 2021, dentro de um pacote de intervenções de "revitalização" do Rio Pinheiros, o que inclui despoluição das águas até dezembro de 2022, segundo a gestão João Doria (PSDB), por meio de um programa focado em saneamento básico.

Única a apresentar proposta para a concorrência pública, a empresa SPBW terá um ano para instalar o equipamento após a celebração do termo de permissão de uso, com ao menos 42 cabines climatizadas e com vista 360 graus. O espaço deverá ter banheiros e espaço de espera e será instalado em uma área de 4,5 mil m², junto à Praça de Eventos do parque, que é estadual.

A empresa terá de pagar R$ 141 mil mensais (a oferta mínima era de R$ 140 mil) ou 10% do faturamento bruto, o que for maior, ao Governo do Estado pelo uso da área por 10 anos. É previsto funcionamento obrigatório nos sábados, domingos e feriados, enquanto os demais dias são facultativos.

A permissionária poderá cobrar ingresso pelo uso, mas deverá destinar parte do total para a população de baixa renda. Além disso, precisará pedir autorização caso pretenda realizar outras formas de exploração comercial do espaço.

Segundo o edital, o governo não será responsável pela realização de qualquer obra, reforma ou manutenção na área, assim como pelo fornecimento de equipamentos, insumos, móveis, utensílios e mão de obra necessários ao funcionamento. Da mesma forma, as despesas de energia e água deverão ser pagas pela empresa.

Em nota, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo ressaltou que a instalação tem o objetivo de "atrair investimentos para a manutenção dos parques urbanos estaduais, além de fomentar ações de educação ambiental e ser uma opção de lazer para toda a população". A reportagem procurou a empresa SPBW, que preferiu não se manifestar.

Ministério do Turismo já destacou profusão de atrações com rodas-gigantes

A profusão de rodas-gigantes já foi até destacada pelo Ministério do Turismo, que citou a iniciativa de algumas empresas do setor, como a Gramado Parks, idealizadora do projeto em Foz e para outras cinco cidades não reveladas.

No Rio, a estrutura, batizada de RioStar, fica na região turística Porto Maravilha e tem ingresso individual ao custo de R$ 59 (online) e R$ 70 (bilheteria). Os responsáveis pela roda-gigante dizem que é a mais alta da América Latina, com 88 metros, título que seria perdido com a inauguração do projeto paulistano. Antes da RioStar, moradores chegaram a criar abaixo-assinado contra uma iniciativa semelhante para Praia de Botafogo, na zona sul.

Já em Balneário Camboriú, por outro lado, a população chegou a fazer uma petição de apoio ao projeto após ele ser temporariamente suspenso pela Justiça. O motivo foi envolver uma área de proteção ambiental.

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Estadão
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