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RJ: filha de Garotinho usa máscara de Dirceu ao votar veto a mascarados

Projeto que determina a proibição de pessoas mascaradas em protestos populares é votado na Assembleia Legislativa do Rio

10 set 2013
17h22
atualizado às 17h37
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<p>Deputada demonstrou solidariedade ao uso de máscaras em protestos</p>
Deputada demonstrou solidariedade ao uso de máscaras em protestos
Foto: Mauro Pimentel / Terra

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) vai votar na tarde desta terça-feira o polêmico projeto que determina a proibição de pessoas mascaradas em protestos. A proposta, de autoria dos deputados estaduais Paulo Melo e Domingos Brazão (ambos do PMDB), prevê ainda que toda manifestação deverá ser comunicada às autoridades policiais, para que tenham autorização para ocorrer.

A deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ) participa da sessão plenária com uma máscara no rosto do ex-ministro da Casa Civil no governo Lula, José Dirceu (PT), condenado no julgamento do mensalão. Ela ainda segura um cartaz com os dizeres "PT é mensalão". Ela disse ser contrária ao projeto, e cobrou que a polícia coíba as ações de vandalismo.

"O mensalão está sendo analisado no STF, e todo cidadão tem o direito de protestar contra ele. Somos contra qualquer tipo de vandalismo, e não somos contra a irreverência do carioca", afirmou a vereadora.

Do lado de fora, o clima, por ora, é tranquilo. Um forte contingente policial segue a postos na porta do Palácio Tiradentes, à espera de possíveis protestos. O grupo Black Bloc convocou, em sua página no Facebook, manifestantes a protestar na porta da Casa Legislativa, mas nenhuma movimentação de pessoas com panos pretos no rosto foi constatada. O Batalhão de Choque está a postos na parte de trás da Alerj.

Na semana passada, o projeto foi levado ao plenário, e acabou não sendo votado. Deputados apresentaram 13 emendas. Muitas delas, apresentadas por parlamentares contrários à medida, tiram o efeito prático da medida. Diferentemente da semana passada, não há manifestantes contrários à medida nas galerias. Um grupo não foi autorizado a entrar na Alerj, sob a alegação de que apenas 75 pessoas assistiriam à sessão.

Apenas manifestantes favoráveis à proibição de mascarados estão presentes nas galerias. Eles empunham cartazes pedindo que as pessoas saiam às ruas, mas sem esconder o rosto. "O verdadeiro brasileiro não esconde a cara. Lutamos com a cara e a coragem", diz um dos cartazes.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus. A mobilização surtiu efeito e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas – o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. "Essas vozes precisam ser ouvidas", disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

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Fonte: Terra
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