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Em 1º ato após veto a máscaras, Black Bloc tenta invadir TJ-RJ

6 set 2013
18h07
atualizado às 19h27
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Manifestantes do movimento Black Bloc realizaram um protesto no prédio do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro contra a prisão de três pessoas ligadas ao grupo
Manifestantes do movimento Black Bloc realizaram um protesto no prédio do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro contra a prisão de três pessoas ligadas ao grupo
Foto: Mauro Pimentel / Terra

No primeiro ato de protesto após a decisão da comissão especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas, com uma medida que proíbe o uso de máscaras em protestos no Rio de Janeiro e também determina que manifestantes se identifiquem imediatamente aos policiais em meio a manifestações, pessoas ligadas ao Black Bloc tentaram invadir, na tarde desta sexta-feira, o prédio do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), no centro da capital fluminense.

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O grupo se reuniu em frente à sede da Justiça fluminense em protesto contra a detenção de supostos líderes do movimento, conhecido por pregar o vandalismo contra alvos determinados como forma de protesto, na quarta-feira. Segundo a Polícia Civil do Estado, os detidos são administradores da página do Black Bloc no Facebook. Eles foram indiciados por formação de quadrilha armada. 

Em meio ao ato nesta sexta-feira, manifestantes tentaram contornar o prédio do Tribunal de Justiça e entrar no local pela porta dos fundos, mas a PM formou um cordão e evitou a passagem do grupo.

O grupo, que reúne entre 50 e 100 pessoas segundo contagem da reportagem do Terra, retornou para a frente do prédio e tentou invadir o local. Seguranças do TJ e policiais militares contiveram o grupo, que conseguiu travar o fechamento de uma das três portas automáticas da entrada do tribunal. 

Com a porta aberta, manifestantes passaram a jogar ovos e lixo para dentro do prédio. Os PMs reagiram e houve conflito com os manifestantes.

Em meio ao conflito, um manifestante teve uma fartura exposta no dedo indicador da mão direita. Segundo ele, o ferimento foi causado por um policial. “Sou só mais uma vítima do Estado. Esse é meu nome”, disse quando questionado sobre sua identidade. “Eu estava lá dentro e, na euforia, um policial militar tacou (sic) um cavalete que quebrou meu dedo”, afirmou. 

Entre gritos contra a prisão dos membros do movimento e também o governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), o grupo cobrava o esclarecimento sobre o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza. “O Black Bloc não é bandido, você é que tem de achar o Amarildo”, cantavam. 

Por volta das 19h, os manifestantes deixaram o prédio do TJ e seguiram para a Cinelândia, também no centro da capital fluminense. Acompanhado pela PM, o grupo fechou o trânsito na avenida Rio Branco. Segundo o Centro de Operações da prefeitura do Rio de Janeiro, o tráfego foi bloqueado a partir da rua Araújo Porto Alegre. Também está interditada a rua Evaristo da Veiga. Um desvio foi montado na rua Senador Dantas.

Prisão preventiva
Hoje, a 27ª Vara Criminal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva dos três supostos líderes do grupo Black Bloc. Os três responderão por formação de quadrilha armada, crime inafiançável.

Na quarta-feira, em entrevista coletiva, a chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha, afirmou que os detidos participaram de atos de vandalismo durante manifestações nos últimos meses. Além do trio, outros dois adolescentes foram apreendidos nas diligências realizadas em Niterói, São Gonçalo, Tribobó e na zona norte do Rio.

Desde o início de julho, a Polícia Civil investiga a fundo a atuação dos Black Blocs. Após as primeiras prisões, de fato, via investigações, uma vez que alguns manifestantes já haviam sido presos após os manifestos de rua, a linha de investigação, segundo Martha Rocha, será de buscar agora as ramificações do grupo.

"Ao serem ouvidos, eles admitiram que não só participavam das manifestações, como coordenavam essa página. Se eles aderem a essa conduta de convocar as pessoas para criarem um artefato perfurante, não há dúvida que eles pertencem a uma quadrilha", complementou.

As investigações apontaram ainda para perfis de classe média dos suspeitos presos na operação. "Essa presença de vandalismo desqualifica a ação legítima de manifestante. Ninguém pode convocar para que as outras pessoas façam esses instrumentos (perfurantes)", concluiu a chefe da Polícia Civil do Rio.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

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Fonte: Terra
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