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Relembre momentos que marcaram o pontificado do papa Francisco

Desde março de 2013, quando assumiu o comando da Igreja Católica, Jorge Mario Bergoglio tem feito declarações e tomado atitudes consideradas mais progressistas e de maior inclusão

22 out 2020
10h10
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Nesta quarta-feira, 21, um documentário apresentado no Festival de Cinema de Roma exibiu trecho de uma entrevista do papa Francisco em que ele declara apoio à união civil de pessoas do mesmo sexo. Segundo o pontífice, "os homossexuais têm o direito de ter uma família" e diz que uma lei é necessária para protegê-los legalmente. O antecessor dele, porém, o papa emérito Bento XVI, comparou o casamento entre pessoas do mesmo sexo ao "anticristo" em uma biografia autorizada publicada em maio.

Na contramão do tradicionalismo, a recente declaração de Francisco desafia, mais uma vez, a Igreja Católica, embora a proteção legal não seja equiparada ao casamento entre homem e mulher, um sacramento. Membros eclesiásticos avaliam que essa abordagem é de inclusão e algo que o pontífice tem feito ao longo dos mais de sete anos de pontificado.

Em outras ocasiões, ele se manifestou de formas consideradas mais progressistas, um tanto divergentes do pensamento mais tradicional e conservador do catolicismo. Além disso, faz declarações de advertêcia a religiosos que usam a fé como meio de incitar violência. Veja a seguir outros momentos que marcaram a trajetória do argentino Jorge Mario Bergoglio.

Nova encíclica

Em 4 de outubro, a nova encíclica do papa, documento de ensino social da Igreja Católica em que ele reflete sobre questões sociais atuais, trouxe um convite para se pensar o mundo de forma mais aberta. Com apelo à fraternidade, chamou atenção um trecho da publicação em que o pontífice cita uma canção de Vinícius de Moraes e Baden Powell, Samba da Bênção, música de matriz afro-religiosa. Ele também observou que muitos "ateus cumprem melhor a vontade de Deus do que muitos crentes", um tipo de advertência aos numerosos políticos em todos os continentes que se sentem "autorizados por sua fé a apoiar diversas formas de nacionalismos fechados e violentos, atitudes xenófobas, desprezo ou mesmo maus-tratos com os que são diferentes."

'Deus não precisa ser defendido por ninguém'

Em 22 de agosto, considerado o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência baseados em Religião ou Crença, o papa Francisco pediu que a religião deixasse de ser usada para "aterrorizar as pessoas". "Deus não precisa ser defendido por ninguém e não quer que o seu nome seja usado para aterrorizar as pessoas", afirmou em uma publicação no Twitter.

Oração especial em praça vazia

No dia 27 de março, quando a pandemia do novo coronavírus começava a se espalhar pelo mundo, o pontífice fez uma oração especial na Praça São Pedro, porém sem fiéis, uma vez que as medidas de distanciamento social e a orientação para evitar aglomerações já estavam em vigor. O momento chamou atenção pelas imagens do papa sozinho diante de um imenso nada. A celebração pediu o fim da pandemia.

Papa rejeita ordenação de homens casados como padres

Em 12 de fevereiro, o papa divulgou o documento Querida Amazônia, no qual rejeitou qualquer possibilidade de ordenar homens casados a serem padres, proposta que tinha sido o centro de discussão entre bispos durante o Sínodo da Amazônia em outubro do ano passado. Em outro ponto polêmico, Francisco desconsiderou a sugestão de criar um ministério específico de mulheres. "Clericalizar as mulheres diminuiria o grande valor do que elas têm feito na região", escreveu.

Tapas na mão de fiel

Uma reação do papa Francisco expôs o ser humano por trás do líder católico. No último dia do ano de 2019, o pontífice repreendeu com tapas na mão uma mulher que o agarrou e puxou pela mão enquanto ele cumprimentava fiéis na Praça São Pedro. Posteriormente, ele se desculpou por perder a paciência e, em fevereiro deste ano, se encontrou com a peregrina e ambos trocaram um aperto de mãos e conversaram pessoalmente.

Primeira mulher em cargo de destaque

O pontífice foi o responsável por colocar, pela primeira vez, uma mulher em papel de liderança na Secretaria de Estado do Vaticano. Em janeiro, ele nomeou a italiana Francesca Di Giovanni como subsecretária da Seção para as Relações com os Estados, o maior cargo já ocupado por uma figura feminina. Segundo ela, a decisão foi "inovadora" e "representa um sinal de atenção às mulheres".

Fim do segredo pontifício

Outra decisão histórica adotada pelo papa, em dezembro do ano passado, foi a extinção do segredo pontifício nos casos de violência sexual e abuso de menores cometidos por clérigos. "Pode-se considerar que é um sinal de abertura, de tranquilidade, de transparência e de colaboração com as autoridades civis", disse na ocasião Nelson Giovanelli Rosendo dos Santos, representante do Brasil na Pontifícia Comissão para Proteção dos Menores.

Reformulação da igreja católica

Em outubro de 2019, Francisco nomeou 13 novos cardeais que refletiam as prioridades do papa em diferentes temas, a exemplo de imigração, mudança climática, inclusão de católicos gays, diálogo inter-religioso e compartilhamento do poder da Igreja fora de Roma, com bispos da África, Ásia e América do Sul. As nomeações significaram um marco para Francisco, que atingiu um ponto crítico de influência para moldar o futuro da Igreja de acordo com sua imagem. Foi um movimento contra a onda mundial populista.

O papa da revolução

Ainda era cedo dizer, mas já em 2013, ano em que Jorge Mario Bergoglio foi tirado do fim do mundo para ser nomeado papa, se falava da possível revolução que ele faria na Igreja Católica. Quando estava perto de completar cinco anos de papado, a análise era de um desempenho de resistência, sob aplausos de seus seguidores. Acreditava-se que ele estava correto em insistir que a Igreja tinha de se abrir e acolher as pessoas afastadas de suas normas. E é esse pensamento que ele vem trazendo até hoje.

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Estadão
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