PF prende 21 em duas operações contra o tráfico internacional de drogas
Ações acontecem nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso
Pelo menos 21 pessoas foram presas até o fim da manhã desta terça-feira, 15, durante a deflagração de duas operações da Polícia Federal contra o tráfico internacional de drogas. As ações acontecem no Rio de Janeiro, em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso. As investigações contaram ainda com a colaboração de órgãos investigativos da Europa e dos Estados Unidos.
Ao todo, foram expedidos 86 mandados judiciais - sendo 39 deles de prisão - pela 5ª e 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Cerca de 200 policiais federais, além de membros do MPF e auditores fiscais, participam das duas operações, batizadas de Turfe e Brutium.
A droga vinha de países como Colômbia, Bolívia, Peru e Paraguai para o Brasil. Elas eram armazenadas no Brasil, sobretudo São Paulo e Rio, e depois despachadas para a Europa através de navios, em meio a contêineres.
Na operação Turfe, os agentes cumpriram 12 dos 20 mandados de prisão - havia ainda outros 30 de busca e apreensão -, expedidos pela 5ª Vara Federal Criminal para os cinco estados, além de medidas de cooperação policial no Paraguai, Espanha e Emirados Árabes (Dubai).
De acordo com a PF, uma investigação que já dura 18 meses aponta para a existência de um grupo responsável por adquirir drogas na Bolívia e na Colômbia, com a logística de transporte e armazenamento dos entorpecentes passando pelo Brasil antes de serem enviados ao mercado europeu.
Ao longo da investigação, mais de oito toneladas de cocaína, tanto no Brasil, quanto na Europa, foram apreendidas. Além disso, mais de R$ 11 milhões foram arrecadados dos criminosos durante uma fase sigilosa da operação, que contou com a participação do DEA (a agência antidrogas norte-americana) e da Europol.
Os valores movimentados pela organização criminosa, contudo, são bem maiores. Os investigadores identificaram uma movimentação financeira que chegou a R$ 250 milhões nos últimos anos. "A apreensão de drogas é fundamental, mas não o único objetivo. A descapitalização da organização é muito importante", disse o delegado Fabrício Martins, responsável pela Turfe. Segundo ele, a operação resulta na perda de imóveis, carros de luxo e valores bancários - o montante ainda está sendo contabilizado.
Os nomes dos envolvidos no esquema não foram revelados, mas, segundo Martins, "ele tinha um perfil mais empresarial". Pelo menos quatro casas de câmbio que estariam envolvidas em esquema de lavagem de dinheiro foram alvos de busca. Houve também uma ação no Complexo da Penha, favela da zona norte do Rio.
A operação Turfe ganhou esse nome em referência a uma das formas de lavagem de capitais da quadrilha investigada, que é feita por meio da aquisição e negociação de cavalos de corrida.
Operação Brutium
Na outra ação, os policiais federais cumpriram nove dos 19 mandados de prisão expedidos pela 10ª Vara Federal Criminal, nos estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Havia ainda 17 de busca e apreensão.
A investigação foi iniciada há dois anos e visa a combater o tráfico internacional de cocaína. A quadrilha investigada se aliou às duas maiores facções brasileiras para enviar a droga, oriunda da Bolívia e Peru, para diversos países na Europa.
Essa investigação contou com a colaboração de agentes da França, Marrocos, Bélgica e Espanha, além da agência antidrogas americana. Com ramificações na América Central e Europa, mais de duas toneladas de cocaína no Brasil, na Europa e na África, além de R$ 3,5 milhões, já foram apreendidos.
O nome da operação faz referência a integrantes da organização criminosa No Limit Soldiers, originária de Curaçao, no Caribe, e com ramificações em outros países da América Central e na Holanda.