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Operação Apakani prende 27 pessoas e descobre detentos pedindo picanha de dentro de presídio no RS

Ofensiva do Denarc contra lavagem de dinheiro e tráfico de drogas cumpre mandados em quatro estados; escutas revelaram criminosos encomendando picanha e maminha na Cadeia Pública de Porto Alegre

11 jun 2026 - 11h19
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Uma megaoperação deflagrada pelo Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) na manhã desta quinta-feira (11) desarticulou uma organização criminosa de larga escala especializada no tráfico de entorpecentes e na lavagem de dinheiro. Denominada Operação Apakani, a ofensiva cumpre ordens judiciais simultâneas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. Até as 7h30, 27 pessoas já haviam sido presas pelas equipes policiais.

Foto: Polícia Civil / Divulgação / Porto Alegre 24 horas

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro (DRLD/Dinarc) e pela Divisão de Inteligência Policial (Dipac), tiveram início em 2023, após a apreensão de 1,3 tonelada de maconha no município de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. No decorrer de um ano e meio de monitoramento, a polícia descobriu que o grupo criminoso movimentou mais de R$ 21 milhões, utilizando imóveis alugados em bairros nobres de cidades gaúchas como sofisticados centros de distribuição e depósitos de cocaína e crack.

Escutas revelam detentos encomendando picanha e maminha

Um dos fatos que mais chamou a atenção dos investigadores durante as interceptações autorizadas pela Justiça foi a audácia de lideranças do grupo que cumprem pena no sistema prisional. Mesmo recolhidos na Cadeia Pública de Porto Alegre (antigo Presídio Central), os criminosos mantinham rotina de articulação e telefonavam de dentro das celas para fornecedores externos — chegando ao ponto de encomendar carne para churrasco.

Em um dos áudios interceptados e integrados ao inquérito, um detento demonstra pressa ao ligar para o atendimento de um estabelecimento comercial:

Detento: "Queremos picanha, maminha. Consegue entregar até uma e meia?"

(Ao ser informado pela atendente de que não havia picanha disponível no momento, o criminoso altera o pedido)

Detento: "Então me vê dois espetos de maminha. A gente tá preso, moça, aqui na frente do Central."

A Polícia Civil informou que ainda não foi possível confirmar se a entrega do churrasco chegou a ser efetivamente realizada na portaria ou no perímetro da casa prisional. Em razão disso, vistorias e mandados de busca e apreensão também estão sendo cumpridos nas galerias dos presídios nesta manhã.

Logística e cidades atingidas pela ofensiva

A estrutura financeira da quadrilha contava com uma rede ramificada para ocultar o patrimônio oriundo do narcotráfico. Ao todo, a Operação Apakani mobiliza centenas de policiais para dar cumprimento a um robusto conjunto de medidas restritivas expedidas pelo Poder Judiciário:

28 mandados de prisão preventiva;

5 mandados de prisão temporária;

69 mandados de busca e apreensão;

59 bloqueios de contas bancárias (envolvendo CPFs de suspeitos e CNPJs de empresas de fachada);

14 ordens de sequestro de veículos de luxo.

No Rio Grande do Sul, as ações de campo concentram-se em residências, empresas e unidades prisionais localizadas em Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Gravataí, Nova Santa Rita, Farroupilha, Gramado, Caxias do Sul e Santa Maria. Os presos e os materiais apreendidos estão sendo encaminhados à sede do Denarc para a formalização dos flagrantes e indiciamentos criminais.

Com informações: G1

Porto Alegre 24 horas
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