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O que acontece após Justiça suspender processo que pode levar a fim de contrato da Enel em São Paulo

Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que está 'avaliando a decisão e as ações que serão tomadas'; liminar foi concedida após distribuidora acionar Justiça

19 mar 2026 - 20h02
(atualizado às 21h00)
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A liminar concedida à Enel Distribuição São Paulo pela Justiça Federal nesta quinta-feira, 19, suspende o andamento do processo administrativo na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que discute a caducidade da concessão da distribuidora.

A decisão judicial provisória ocorre após a Enel acionar a Justiça contra a Aneel na última quarta-feira, 18. A liminar valerá até o julgamento do mérito da ação. Em nota, a Aneel informou que está "avaliando a decisão e as ações que serão tomadas para assegurar suas prerrogativas e competências legais".

Na decisão, a juíza federal Pollyanna Kelly Maciel Medeiros declarou sem efeito o voto do diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, que recomendou o fim do contrato da Enel na Grande São Paulo. Ele foi o primeiro integrante da diretoria da autarquia a se manifestar, no dia 24 fevereiro deste ano.

Feitosa, porém, havia concedido à Enel o prazo até o dia 26 de fevereiro para se manifestar. Segundo a juíza, o voto do diretor anterior à data fere a Constituição Federal, que garante "aos administrados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa".

Os outros quatro diretores da Aneel teriam até a próxima terça-feira, 24, para apresentar seus votos. Na decisão, porém, a juíza determinou a suspensão da sessão marcada, evitando que a agência tome uma decisão antes da análise judicial do caso.

Liminar da Justiça suspende processo administrativo sobre caducidade de contrato de concessão da Enel São Paulo
Liminar da Justiça suspende processo administrativo sobre caducidade de contrato de concessão da Enel São Paulo
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

A juíza acatou ainda a alegação da Enel de que a Aneel incluiu indevidamente no processo administrativo os apagões ocorridos em dezembro de 2025, sem cumprir o rito legal. A lei de concessões exige que haja comunicação detalhada sobre falhas, prazo para correção e só depois a discussão de caducidade.

"A inserção de fatos novos e supervenientes (dezembro de 2025) a um processo estruturado sobre eventos anteriores de 2024, sem a renovação adequada desta prerrogativa legal de saneamento, sugere o desvirtuamento do procedimento administrativo sancionador", afirmou a juíza.

Uma hora após a decisão liminar, a área técnica da Aneel defendeu que a diretoria recomende o rompimento da concessão. "Considerando o histórico de reiteradas falhas na prestação do serviço emergencial, evidenciado na persistência de desempenho inadequado em dezembro de 2025, mesmo após a adoção de várias medidas coercitivas pela Aneel, resta caracterizado o esgotamento da eficácia das medidas previstas", afirma relatório da área técnica, que contesta os argumentos apresentados pela Enel para defender a manutenção do contrato.

O processo em tramitação na Aneel teve início após o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), se unirem para pedir o rompimento do contrato da Enel, em dezembro.

O pedido ocorreu por conta de episódios de falta de luz na capital. Em dezembro de 2025, mais de 4 milhões de imóveis ficaram no escuro depois de ventania intensa — o terceiro grande blecaute na região desde 2023. A energia só voltou para todos os afetados após seis dias.

O advogado especialista no setor elétrico Alexandre Leite explica: "A Aneel deve recorrer da decisão. Caso seja mantida (a liminar) até o julgamento e comprovado o vício (decisão antecipada e inclusão irregular de novos fatos), a agência reguladora teria que reiniciar o processo a partir da declaração de vício/ilegalidade".

Apesar de o serviço de energia ser prestado no âmbito local, só o governo federal, responsável pelo contrato, pode rescindir a concessão. Para isso, no entanto, é necessária a recomendação da Aneel.

Questionado sobre a suspensão do processo, o Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), defendeu dar um "basta nessa história que vem se arrastando". "A Enel não tem condições de permanecer em São Paulo", afirmou ao Estadão.

Estadão
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