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MPL questiona Haddad: prefere garantir lucro de empresas e punir usuário?

Movimento diz que prefeito cria "falsa ideia" de que redução da tarifa comprometeria recursos destinados a outros setores

19 jun 2013
14h41
atualizado às 15h40
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O Movimento Passe Livre (MPL) divulgou nota na tarde desta quarta-feira em que rebate declarações do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que disse em entrevista coletiva que a prefeitura não tem condições, por iniciativa própria, de reduzir as tarifas do transporte público sem cortar recursos de serviços básicos da população. Segundo o MPL, o prefeito cria a "falsa ideia" de que a redução da tarifa retiraria o dinheiro de outras áreas sociais em vez de trabalhar para reduzir as margens de lucro das empresas de transporte.

<p>Multidão cercou a prefeitura de São Paulo na noite de terça-feira</p>
Multidão cercou a prefeitura de São Paulo na noite de terça-feira
Foto: AFP

"A própria prefeitura divulgou que os empresários do setor só pagam 10% do custo dos ônibus enquanto o usuário paga 70% desse custo! Que tal equilibrar um pouco mais essa conta? Será que o prefeito Haddad prefere garantir o alto lucro dos empresários e punir o usuário do transporte público mantendo esse aumento?", questiona o MPL em nota. Como alternativa de garantir os recursos, o movimento ainda sugere a cobrança de "IPTU atrasado de shoppings, grandes propriedades e empresas que devem ainda milhões para a cidade".

O grupo acusa Haddad e o governador Geraldo Alckmin de manterem-se intransigentes diante do apelo popular, respaldado por 77% da população, segundo pesquisa Datafolha. Segundo o MPL, Haddad e Alckmin tomam a atitude irresponsável de não atender aos clamores populares. Essa é a causa da revolta popular que vemos se espalhar pela cidade".

"A prefeitura tenta de toda forma iludir o povo nas ruas, criando a falsa ideia de que, para revogar o aumento, a prefeitura terá que retirar dinheiro da educação, saúde e outras áreas sociais. Isso não é verdade, até porque as verbas para setores como educação e saúde estão vinculadas e não podem ser transferidas", analisa o movimento. Para o MPL, a fatia da população que defende a redução da tarifa é maior do que o próprio eleitorado do prefeito, o que justificaria mudanças em projetos formulados por ele na campanha eleitoral, sem criar a "contradição entre rua e urna" apontada por Haddad em entrevista.

O texto segue acusando o governo de São Paulo de desaparecer do debate público, "se negando a dialogar "e criando uma ideia que essa é uma questão única de segurança pública, colocando sempre o comando da PM à frente de todas as situações". "O governador Geraldo Alckmin deixa assim claro que prefere mandar a polícia para tratar de uma demanda da população", diz a nota.

Por fim, o movimento diz que o clamor pelo "direito de ir e vir da população" como justificativa para a repressão aos protestos em São Paulo é uma "inversão do discurso realizado pelos governantes". "São essas pessoas que estão se manifestando que de fato lutam para garantir esse direito, atacado pela tarifa e seus aumentos", afirma o MPL, que garante: "não sairemos das ruas!".

Veja a íntegra da nota do MPL
"Ontem, centenas de milhares de pessoas tomaram o Centro, a Paulista, Raposo Tavares, Ponte do Socorro, Cidade Dutra, linhas Rubi e Esmeralda da CPTM. Hoje, foi a vez da M'Boi Mirim, Regis Bittencourt e Anchieta. A reivindicação é clara: revogação imediata do aumento da tarifa! Enquanto isso, o prefeito Haddad e o governador Alckmin se mantêm intransigentes, e tomam a atitude irresponsável de não atender aos clamores populares. Essa é a causa da revolta popular que vemos se espalhar pela cidade.

O poder público de São Paulo tem escolhido duas estratégias claras em relação aos protestos populares pela revogação do aumento das passagens na cidade. O governo do Estado se cala e desaparece do debate público, se negando a dialogar e criando uma ideia que essa é uma questão única de segurança pública, colocando sempre o comando da PM à frente de todas as situações. O governador Geraldo Alckmin deixa assim claro que prefere mandar a polícia para tratar de uma demanda da população. Isso comprova que São Paulo não lida bem com manifestações, como afirmou o prefeito hoje. Será mesmo que é a população que não está pronta para a 'vida democrática'?

Já a Prefeitura tenta de toda forma iludir o povo nas ruas, criando a falsa ideia de que, para revogar o aumento, a prefeitura terá que retirar dinheiro da educação, saúde e outras áreas sociais. Isso não é verdade, até porque as verbas para setores como educação e saúde estão vinculadas e não podem ser transferidas.

O prefeito diz que não poderia abandonar os projetos por ele formulados na campanha eleitoral, cedendo a uma pressão vinda das ruas, o que causaria 'contradição entre rua e urna'. Não existe contradição: 77% da população (segundo Datafolha) aprova os protestos pela revogação do aumento, porcentagem superior ao próprio eleitorado do prefeito.

A própria prefeitura divulgou que os empresários do setor só pagam 10% do custo dos ônibus enquanto o usuário paga 70% desse custo! Que tal equilibrar um pouco mais essa conta? Será que o prefeito Haddad prefere garantir o alto lucro dos empresários e punir o usuário do transporte público mantendo esse aumento? Além disso a prefeitura poderia ser mais corajosa e cobrar o IPTU atrasado de Shoppings, grandes propriedades e empresas que devem ainda milhões para a cidade!

Ressaltamos que a decisão continua sendo política, tanto é que, em períodos eleitorais, os governantes reorganizam os recursos para não aumentar tarifas e perder o eleitorado. Porto Alegre, Vitória, Goiânia, Florianópolis, entre outras, já baixaram suas tarifas, a partir da vontade da população. Questione os moradores dessas cidades se isso foi em detrimento dos outros serviços públicos!

Apesar de não ser obrigação do MPL explicar para o poder público como devem ser organizadas as contas do Estado e do Município, foi mais do que preciso divulgar essas informações para reiterar que é possível SIM revogar essa injustiça social que é o aumento das passagens de ônibus, Trens e Metrôs.

Temos que acabar com a inversão do discurso realizado pelos governantes, que dizem que as manifestações impedem o direito de ir e vir da população. São essas pessoas que estão se manifestando que de fato lutam para garantir esse direito, atacado pela tarifa e seus aumentos!

Não sairemos das ruas!

Movimento Passe Livre São Paulo"

Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em cenários de guerra.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, prédios, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Veja a cronologia e mais detalhes sobre os protestos em SP

Mais de 250 pessoas foram presas durante as manifestações, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. A mobilização ganhou força a partir do dia 13 de junho, quando o protesto foi marcado pela repressão opressiva. Bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar na rua da Consolação deram início a uma sequência de atos violentos por parte das forças de segurança, que se espalharam pelo centro.

O cenário foi de caos: manifestantes e pessoas pegas de surpresa pelo protesto correndo para todos os lados tentando se proteger; motoristas e passageiros de ônibus inalando gás de pimenta sem ter como fugir em meio ao trânsito; e vários jornalistas, que cobriam o protesto, detidos, ameaçados ou agredidos.

As agressões da polícia repercutiram negativamente na imprensa e também nas redes sociais. Vítimas e testemunhas da ação violenta divulgaram relatos, fotografias e vídeos na internet. A mobilização ultrapassou as fronteiras do País e ganhou as ruas de várias cidades do mundo. Dezenas de manifestações foram organizadas em outros países em apoio aos protestos em São Paulo e repúdio à ação violenta da Polícia Militar. Eventos foram marcados pelas redes sociais em quase 30 cidades da Europa, Estados Unidos e América Latina.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40.

O prefeito da capital havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. A proposta foi aprovada, mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.

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Fonte: Terra
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