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MPL faz ato contra reajuste das tarifas de transporte em SP

Protesto acontece no centro da cidade; por enquanto, ato é pacífico e há mais policiais que manifestantes na região

7 jan 2020
19h01
atualizado às 19h24
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O primeiro protesto do Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento das tarifas do transporte público de São Paulo, realizado nesta terça-feira, acontece com presença maior de policiais do que manifestantes. Segundo organizadores e a PM, o ato reúne cerca de 500 participantes. Já o número de policiais empenhados na ação chega a 800. Até o momento, a manifestação segue pacífica.

A concentração começou às 17 horas em frente ao prédio da Prefeitura, no Viaduto do Chá, no centro da capital paulista. De acordo com organizadores, a passeata deve seguir em direção ao Largo do Paiçandu, passar pela Avenida 9 de Julho e terminar na Avenida Paulista, na altura do Masp.

Manifestantes participam de protesto do Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento na tarifa do transporte público em São Paulo.
Manifestantes participam de protesto do Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento na tarifa do transporte público em São Paulo.
Foto: Daniel Teixeira / Estadão

"Bem na virada do ano, o prefeito e o governador anunciaram o aumento da tarifa de R$ 4,30 para R$ 4,40. Cada centavo a mais exclui mais gente do transporte que deveria ser público", diz Gabriela Dantas, do MPL. "Hoje é só a primeira (manifestação), isso é o começo de uma jornada de luta. A gente vai seguir na rua até conseguir a revogação do aumento."

Entre as pautas, o movimento também protesta contra a redução de linhas e viagens de ônibus prevista em licitação da gestão Bruno Covas (PSDB). "Não vamos pagar mais para circular menos", diz Gabriela. No ato, se vê bandeiras de movimentos estudantis, como a UNE (União Nacional dos Estudantes) e Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), e de grupos políticos, como PSOL, PSTU, PCR.

Por volta das 19 horas, um grupo de jovens adeptos da tática black bloc se juntou ao ato na altura da 9 de Julho.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, 6, a Secretaria Estadual de Transportes afirma que o reajuste está abaixo da inflação. "As novas tarifas foram encaminhadas para os presidentes da Câmara Municipal e para a Assembleia Legislativa e mantêm as atuais gratuidades existentes. Diariamente 8,3 milhões de passageiros são transportados nas 13 linhas disponíveis no Metrô e na CPTM e 8,8 milhões nos ônibus da capital."

Já a Prefeitura de São Paulo afirma que, desde o início de 2017, a cidade já recebeu mais de 4.800 ônibus novos, "o que significa a renovação de mais de 34% da frota de aproximadamente 14 mil ônibus". "Vale ressaltar que cerca de 3,6 mil destes novos veículos foram entregues nos últimos dois anos, durante a gestão Bruno Covas", diz o texto.

Policiais no ato

Entre os policiais militares que atuam no protesto, dois mediadores ficaram responsáveis por falar com os manifestantes. Até pouco antes de o ato sair, o percurso não havia sido divulgado. "Sem o itinerário o comandante não vai deliberar a saída do movimento", dizia um dos mediadores.

Durante a concentração, houve um momento de tensão quando cerca de 30 policiais foram revistar duas mulheres do MPL. Ativistas reclamaram de truculência e acusaram os PMs de estarem pisando nas faixas confeccionadas para o protesto. Nas mochilas das jovens, os agentes só encontraram kits de primeiros socorros.

Reajuste

O aumento das tarifas a passagem dos ônibus municipais de São Paulo, do Metrô e dos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) começou a vigorar no dia 1º de janeiro. O argumento para o reajuste foi o crescimento dos custos operacionais dos sistemas. O aumento, de 2,33%, ficou abaixo dos índices de inflação apurados ao longo de 2019, que passaram dos 3%.

No caso dos ônibus, se passageiro usar bilhete único (que é obtido mediante cadastro na Prefeitura), a passagem paga com o cartão dá direito a embarque em dois coletivos diferentes em um intervalo de três horas. Caso o pagamento seja em dinheiro, os R$ 4,40 dão direito a uma única viagem.

Já no caso do Metrô e dos trens, as transferências entre os sistemas de trilhos é gratuita. O valor pago dá direito a usar quantas linhas o passageiro precisar. Mas a integração com os ônibus é tarifada.

A tarifa integrada, que dá direito a uma passagem de trem e/ou de metrô e a uma passagem de ônibus, subiu de R$ 7,48 para R$ 7,65, um reajuste de 2,27%. Caso pague os dois meios de transporte com dinheiro, o valor é da soma das tarifas, ou R$ 8,80.

Passageiros que carregaram seus cartões do bilhete único até o dia 31 de dezembro terão descontados os valores antigos da passagem até os créditos se esgotarem.

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Estadão
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