Síndico que matou corretora usou dinheiro do condomínio para pagar advogados, diz polícia
Polícia encontrou transferência da conta do condomínio no mesmo valor de um contrato de honorários advocatícios recebido por Cleber
Cleber Rosa de Oliveira, o síndico que matou a corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, teria usado o dinheiro do condomínio para pagar despesas com advogado. É o que aponta a investigação da Polícia Civil de Goiás.
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Em coletiva de imprensa, nesta quarta-feira, 19. o delegado André Luiz, da polícia de Caldas Novas, afirmou que em análise ao telefone do acusado, foi encontrado um contrato de honorários enviado na noite de 17 de janeiro.
O atual presidente da associação de moradores do condomínio teria notado um Pix feito por Cleber para o filho, e então, foi até a delegacia para registrar o caso, no dia 18 de janeiro. Segundo a polícia, o valor era o mesmo que estava em contrato.
“Então, ele pagou a sua defesa inicial com o dinheiro do condomínio que administrava, por isso o interesse dele [do filho] em não ter esse telefone apreendido e essa investigação específica, eventuais crimes patrimoniais praticados por na sua gestão e administrador da associação do condomínio serão investigados em procedimento próprio já instaurado pelo grupo especial de investigações criminais de Caldas Novas.
Em nota ao Terra, a defesa do síndico informou que ele segue à disposição da Justiça e permanecerá com postura colaborativa. "Ressaltamos que o Inquérito Policial será encaminhado ao Ministério Público do Estado de Goiás, a quem cabe deliberar sobre o oferecimento da denúncia. A defesa técnica comentará as circunstâncias do caso exclusivamente pela via judicial, sobretudo porque os procedimentos até então correlacionados à investigação tramitam em segredo de justiça", finalizou.
Filho foi solto
O filho de Cleber, Maicon Douglas Souza de Oliveira, foi solto nesta quarta-feira, 19, após a investigação concluir que ele não teve participação no crime e nem tentou atrapalhar a apuração do caso. A informação foi confirmada ao Terra pela Polícia Civil.
Os dois haviam sido presos no último dia 28. Na ocasião, o síndico, que também havia sido detido pelas autoridades, confessou o crime e afirmou que o rapaz era inocente.
Em nota, a defesa dele afirmou que comprovou que Maicon sequer estava em Caldas Novas quando o crime ocorreu. “Tal fato foi corroborado não apenas por prova testemunhal, mas por um conjunto robusto de provas técnicas: registros laborais de ponto, extração de conversas via aplicativos de mensagens e laudos periciais realizados em aparelhos celulares. A ciência e a técnica, de forma incontestável, demonstraram a sua absoluta inocência (confira abaixo na íntegra)”, disse.
Com isso, a investigação contra ele que apurava o possível envolvimento no homicídio foi arquivada. No entanto, a Polícia Civil concluiu que seu pai premeditou e executou Daiane. Segundo as investigações, ele apagou a luz do apartamento da mulher de propósito, para atraí-la ao subsolo.
Vídeo do ataque
A equipe de investigação conseguiu resgatar um vídeo feito pela própria Daiane, que registrou o momento do ataque. A filmagem estava no aparelho da corretora e teria confirmado a suspeita da polícia.
O aparelho tinha sido escondido pelo síndico, e foi recuperado pelas autoridades. No conteúdo, Daiane aparece descendo ao subsolo para checar a caixa de força do seu apartamento, que estava sem energia elétrica. O síndico já estava no local e se aproximou de forma inesperada pelas costas da vítima. É nesse momento que ele a ataca sem qualquer discussão prévia. Depois, a gravação é interrompida abruptamente.
Ainda na coletiva, a Polícia Civil apontou que Daiane foi baleada ainda no subsolo por Cleber. Ela foi morta com dois tiros na cabeça. O vídeo também demonstra que a versão apresentada pelo síndico é incompatível com a alegação de que o disparo teria sido acidental ou efetuado em legítima defesa.
“Daiane foi a própria testemunha do seu homicídio. Os vídeos que ela gravou foram fundamentais para a gente entender o porquê ela tinha descido ao subsolo. Ela conseguiu gravar a própria dinâmica da sua morte”, afirmaram os investigadores.
Com o vídeo, a Polícia Civil também afirma que o síndico cometeu o assassinato sozinho. Maicon havia sido preso por suspeita de envolvimento no crime, mas foi isento. Segundo as investigações, ele entrou na história em um segundo momento -- sabendo que poderia ser preso, o síndico colocou seu filho num papel de sucessor da administração do condomínio, mesmo que de maneira informal.
Daiane foi vista pela última vez em dezembro. Seu corpo foi encontrado em janeiro, após o síndico ser preso. Ele confessou o crime e levou as autoridades até o local onde abandonou a corretora depois de morta. Já no início deste mês o exame de DNA confirmou que corpo encontrado na mata é da corretora.