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Milicianos incendeiam vans em guerra na zona oeste do Rio

Com a morte de Ecko, bando rachou e disputa à bala o transporte na região; ônibus desviam dos seus itinerários

16 set 2021 13h08
| atualizado às 21h34
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RIO - Pelo menos sete vans foram incendiadas durante confrontos entre milicianos em três bairros da zona oeste do Rio, na madrugada e manhã desta quinta-feira, 16. Além de causar pânico entre pessoas que moram ou trabalham nos bairros de Santa Cruz, Paciência e Campo Grande, os confrontos provocaram dificuldades de transporte. A Estrada do Campinho chegou a ser interditada, a circulação de vans foi suspensa e linhas de ônibus mudaram seus itinerários. Duas linhas do corredor Transoeste do BRT Rio também deixaram de circular das 14h até por volta das 17h.

A milícia é um grupo armado que obriga moradores de determinados bairros a pagar por um suposto serviço de segurança particular - quem não pagar corre o risco de morrer. Nesses bairros, o grupo também controla a venda de planos de internet e TV a cabo, botijões de gás de cozinha e o transporte coletivo por vans. Motoristas de van que queiram trabalhar nas linhas da região precisam pagar uma taxa periódica à milícia.

Ao menos oito vans foram incendiadas em áreas dominadas por grupos milicianos na zona oeste do Rio
Ao menos oito vans foram incendiadas em áreas dominadas por grupos milicianos na zona oeste do Rio
Foto: Reprodução/Redes sociais / Estadão

A maior milícia do Rio, conhecida como Bonde do Ecko, era controlada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, que foi morto em 12 de junho, durante operação da Polícia Civil em Paciência, na zona oeste. No fim de 2020 o líder dessa quadrilha já havia se desentendido com um comparsa, Danilo Dias Lima, o Tandera (que tem esse apelido porque ostenta uma tatuagem dos olhos de Thundera, do desenho animado Thundercats). Tandera rompeu com o antigo chefe, causou uma cisão na quadrilha e passou a controlar áreas dominadas pela milícia na Baixada Fluminense, em municípios como Nova Iguaçu e Seropédica.

Enquanto Ecko era vivo, porém, poucos confrontos aconteceram. Desde a morte dele, o Bonde passou a ser controlado por Luís Antonio da Silva Braga, o Zinho, irmão de Ecko, e a disputa pelo controle territorial aumentou.

Na tarde de quarta-feira, 15, dois supostos integrantes do grupo de Tandera foram mortos quando passavam pela Estrada de Madureira, no bairro Dom Bosco, em Nova Iguaçu. Os assassinos conseguiram fugir e ainda não foram localizados. O crime teria sido ordenado por Zinho, e então os milicianos decidiram se vingar incendiando vans que circulam na área dominada pelo grupo rival.

Os milicianos atearam fogo a vans na Praça da Alegria, em Campo Grande, na Rua Agai, em Paciência, e na Avenida João XXIII, em Santa Cruz. Durante as abordagens, os criminosos deram muitos tiros, gerando mais pânico entre motoristas e passageiros. Não há registro de feridos.

Desde o início dos confrontos desta quinta-feira, a Polícia Militar mobilizou equipes de todos os batalhões da região para fazer patrulhamento nas principais vias e sobrevoar a área, na tentativa de impedir novos ataques. O policiamento seguia reforçado no final da tarde, quando já não eram registrados confrontos.

Estadão
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