Maioria vê "indústria da multa", mas radares têm apoio
46,6% se declararam contra uma eventual proibição de radares móveis; assunto esteve em alta no governo federal
Por dois motivos diferentes, a maioria dos brasileiros acredita que existe uma “indústria da multa” nas rodovias, aponta a pesquisa de opinião CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira.
Perguntados se essa indústria existe, 32,1% disseram que sim, “pois os radares são utilizados principalmente para multar e arrecadar e não para educar os motoristas”. Outros 21,5% concordam que há tal indústria, porque “há radares demais, instalados sem estudos técnicos que os justifiquem”. Somados esses percentuais, o resultado é 53,6%.
Entre os que afirmam não haver uma “indústria da multa”, 20,1% dizem que “os radares são importantes para reduzir o número de acidentes”. Outros 12,8% afirmam que “só são multados motoristas com excesso de velocidade”. As parcelas, somadas, representam 32,9% dos entrevistados.
Os que não souberam avaliar foram 13,5%.
Apesar de a maioria achar que existe uma indústria da multa, a maior parte dos entrevistados é contra a proibição dos radares móveis – aqueles operados diretamente por policiais rodoviários.
A pesquisa perguntou se esses equipamentos deveriam ter uso proibido, e 46,6% afirmaram que não, “pois apenas motoristas com excesso de velocidade são multados”.
Por outro lado, 35,6% apoiariam uma proibição dos radares móveis, porque “eles são usados apenas para multar e arrecadar”.
Não demonstraram posição favorável nem contrária à proibição 12,2%, enquanto 5,6% não souberam avaliar.
O governo e os motoristas
O assunto esteve em alta no governo federal. O presidente Jair Bolsonaro sinalizou mais de uma vez para a fatia de motoristas insatisfeita com os radares.
“Vinte pontos se perde com muita facilidade. [O motorista] é emboscado em todo lugar [...] você não tem mais prazer em dirigir, a qualquer lugar você está cheio de radar. O radar extrapolou a ideia de proteger a vida, é caça-níquel para aumentar a arrecadação. É dinheiro que tira do povo”, afirmou o presidente.
Bolsonaro enviou ao Congresso nacional um projeto de lei que afrouxa o código de trânsito – entre outros tópicos, dobra o número pontos que um motorista pode ter na habilitação. Ele também mandou suspender o uso de radares fixos, móveis e portáteis em rodovias federais.
Método de pesquisa
A pesquisa foi feita pelo instituto de pesquisas MDA a pedido da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Foram entrevistadas 2.002 pessoas em 137 municípios distribuídos por 25 Estados.
A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais. Isso significa que o valor de 15%, por exemplo, pode ser na verdade algo entre 12,8% e 17,2%.
O perfil dos entrevistados – levando em conta onde mora, sexo, idade e renda familiar – é calculado de forma a ser representativo da sociedade brasileira. Por isso é possível tirar conclusões razoavelmente precisas relativas ao país todo com base na amostra de apenas 2.002 pessoas.
Os dados foram colhidos entre os dias 22 e 25 de agosto, possivelmente o momento de crise mais aguda já enfrentado pelo governo Jair Bolsonaro. Durante esses dias as queimadas na Amazônia dominaram o noticiário.
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