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Lama de obra parada do Rodoanel invade casa em São Paulo

Família foi levada a hotel com conta bancada pela Dersa, responsável pela construção; empresa está na mira do governo do Estado

12 abr 2019
16h53
atualizado às 16h53
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A forte chuva que atingiu São Paulo no último fim de semana se misturou à terra exposta e solta da obra parada de trecho do Rodoanel no norte da capital paulista, formou uma enxurrada de lama e invadiu uma residência de família na redondeza. Também foi atingida uma casa em construção. 

A família – um casal e três filhos – moradora do local foi levada a um hotel pela Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), responsável pela obra viária.

A construção fica na parte alta de um morro. A diferença de altura em relação às casas, em um ponto mais baixo, deu força à enxurrada.

Obra do Rodoanel fica em nível mais alto no morro que as casas
Obra do Rodoanel fica em nível mais alto no morro que as casas
Foto: Google Maps / Reprodução

Funcionários da Dersa têm pressionado deputados estaduais para que não seja concedida ao governador João Doria (PSDB) autorização para dissolver a empresa.

Um dos trabalhadores envolvidos na campanha disse ao Terra que também estão pedindo que deputados façam vistorias nas obras da firma.

Construções paralisadas encarecem o investimento em infraestrutura. Expostas ao tempo, começam a deteriorar antes mesmo de serem terminadas.

Procurada, a Dersa afirmou que atendeu os moradores imediatamente e está auxiliando na limpeza do imóvel. Não respondeu, porém, desde quando a obra está parada e nem qual o prazo para ser terminada. Leia a íntegra da nota enviada à reportagem:

"A Dersa informa que imediatamente atendeu os moradores do imóvel que foi invadido pelo volume de águas com o carreamento de lama, provocada pelas fortes chuvas. A Companhia providenciou a hospedagem e está prestando todo o auxílio para a limpeza do imóvel. A família permanece no hotel. 

Na próxima semana, o imóvel passará por vistoria do IPT para verificar condições e auxiliar a elaboração de relatórios técnicos.

O segundo imóvel atingido, que estava em construção, também recebeu atendimento imediato e já está liberado para os proprietários."

O governo e a Dersa

Em seu primeiro dia no Palácio dos Bandeirantes, o governador João Doria enviou à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) um projeto para vender, fundir ou extinguir seis estatais, inclusive a Dersa.

Por ser muito ampla, a proposta sofre resistência dos deputados estaduais. O texto não explica o que será feito de cada empresa. O governo deverá deixar a proposta mais clara num futuro próximo – assim, provavelmente terá força para aprova-la.

A Dersa é a mais importante e conhecida das firmas na mira de Doria. Também é o foco de corrupção mais visível do Estado. A dissolução é o destino que o Palácio dos Bandeirantes planeja para a firma.

Nas últimas semanas a Alesp tem sido palco de discussões sobre o projeto de Doria para as estatais. Os funcionários das empresas sustentam que elas são importantes para São Paulo.

Os trabalhadores da Dersa, especificamente, dizem que a organização é protagonista do noticiário sobre corrupção no Estado por causa das diretorias nomeadas pelos sucessivos governos tucanos. Deputados do PSDB negam a correlação.

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Fonte: Equipe portal
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