Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Justiça proíbe Prefeitura de cremar 1,6 mil ossadas de cemitério na zona leste

Entidades de direitos humanos questionaram autorização concedida pela Justiça, que agora reviu decisão. Administração diz que medida é necessária para criar espaços para novos sepultamentos

23 jul 2018 - 23h20
Compartilhar
Exibir comentários

A Justiça de São Paulo suspendeu a autorização que havia concedido em junho à Prefeitura de São Paulo para a cremação de 1,6 mil ossadas não identificadas do Cemitério da Quarta Parada, zona leste da capital. A decisão é de quinta-feira, 19, mas ficou disponível nesta segunda-feira, 23. 

No último dia 12, quatro entidades de defesa dos direitos humanos apresentaram petição contra a cremação. Segundo a juíza Renata Pinto Zanetta, da 2.ª Vara de Registros Públicos, os argumentos apresentados pelas instituições, "apesar de terem vindo à tona somente agora", apontaram o risco da irreversibilidade da decisão anterior caso os ossos fossem cremados.

"Decreto a suspensão dos efeitos da sentença, suspendendo a autorização para cremação de ossadas, vedando, outrossim, a realização de qualquer cremação até ulterior deliberação deste Juízo", determinou a magistrada, que proibiu a emissão do alvará que garantiria a cremação dos restos mortais até segunda ordem.

A Justiça também concedeu, em caráter de urgência, pedido de vista ao Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos do Ministério Público de São Paulo, que deverá se posicionar sobre o caso antes da decisão final sobre a cremação. No entanto, a juíza não retirou o sigilo do processo.

"A decisão consagra a importância da dignidade da pessoa humana e a responsabilidade do poder público para cuidar e identificar os restos mortais e entregar as ossadas para suas famílias", diz Dimitri Sales, advogado e presidente do Instituto Latinoamericano de Direitos Humanos (Iladh), uma das entidades que assinaram a petição pela suspensão da cremação.

Segundo Sales, as entidades de defesa dos direitos humanos aguardarão o posicionamento e as recomendações do Ministério Público para avaliar novos recursos na Justiça. Além do Iladh, também assinaram o recurso o Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana (Condepe), a Associação Brasileira de Busca e Defesa à Criança Desaparecida e o Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias do Município de São Paulo (Sindsep).

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informa que ainda não foi notificada da decisão da 2.ª Vara de Registros Públicos. "O Serviço Funerário do Município de São Paulo esclarece que o procedimento não é inédito, tendo sido feito pela última vez em 2005, no Cemitério Quarta Parada, quando foram cremados 2.117 ossos", informou a gestão Bruno Covas (PSDB).

Petição

As entidades de defesa dos direitos humanos afirmam, na petição apresentada no dia 12, que a autorização de cremação viola o direito à memória dos falecidos e impede os familiares de decidirem sobre os restos mortais. As instituições afirmam ainda que, por serem ossadas datadas de 1941 a 2000, a cremação pode levar  "redesaparecimento" de possíveis vítimas da ditadura militar (1964-1985).

A Prefeitura nega as acusações e afirma que a cremação é necessária tanto para a proteção ambiental quanto para criar espaços para novos sepultamentos.

"A prática não incide em atentado à memória e é regulamentada pelo provimento 24/1993, da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo", informa a gestão Covas. "Conforme previsto no art.39 do ato 326/32, estas ossadas se tratam de objeto de comisso, ou seja, são provenientes de túmulos que foram abandonados e retornam à Prefeitura." 

As entidades também questionaram  a suposta relação entre a cremação e a tentativa de a Prefeitura conceder o Cemitério da Quarta Parada à iniciativa privada. Segundo as instituições, a ação livraria o futuro concessionário de arcar com os custos e entraves burocráticos com a identificação de cada ossada.

A Secretaria de Desestatização e Parcerias nega relação com a concessão do cemitério e afirma que "os processos administrativos (relativos à cremação), inclusive, foram iniciados em 2013 e 2014."

Estadão
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade