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Investigação da PF cita quatro indícios de que fugitivos de Mossoró tiveram ajuda interna, diz jornal

Documento aponta que as circunstâncias "sugerem fortemente" a possibilidade de ter ocorrido crimes de facilitação de fuga e dano qualificado

1 mar 2024 - 11h31
(atualizado às 12h32)
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Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento
Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento
Foto: ecretaria de Estado de Segurança Pública do Acre

Uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre a fuga dos dois detentos na penitência federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, aponta que as circunstâncias "sugerem fortemente" a possibilidade de ter ocorrido crimes de facilitação de fuga e dano qualificado. A informação consta em documento obtido pelo jornal Folha de S. Paulo

Segundo o documento, quatro indícios reforçam a tese. O primeiro é com relação às barras de metal usadas para retirar a luminária da parede da cela, o que fez eles chegarem ao local de manutenção do presídio. Ao menos um desses metais seria compatível com vergalhões utilizados em uma reforma em andamento. Um laudo sobre isso é aguardado pela polícia.

O segundo indício se refere ao momento em que os presos chegam ao tapume (uma espécie de cerca) de uma obra e encontram ferramentas para romper a barreira do perímetro interno e, depois, do externo, e fugirem.

Já o terceiro é o fato dos dois detentos terem conseguido chegar a um tapume na escuridão. Um poste que deveria iluminar a área estava desligado pelo disjuntor. 

O quarto indício, por sua vez, é os fugitivos serem capazes de encontrar, mesmo na escuridão, ao menos um alicate. De acordo com a investigação, a polícia acredita que a ferramenta pode ter sido deixada no local para ajudar a romper as cercas.

Ainda conforme a investigação da PF, a facção Comando Vermelho está bancando uma rede de apoio para ajudar os dois fugitivos. Essa rede auxilia com alimentação, bebidas, transporte e possivelmente armas de fogo. Essa ajuda teria iniciado após os detentos terem usado celulares no dia 16 de fevereiro. 

Os homens fugiram da penitenciária no dia 14 de fevereiro. O caso marca a primeira fuga registrada na história do sistema penitenciário federal, que inclui cinco presídios de segurança máxima. Nesta sexta-feira, 1, a busca por eles completa 17 dias. Seis pessoas já foram presas. 

Quem são os fugitivos 

Os fugitivos são Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento, também conhecido como "Tatu" ou "Deisinho". 

Ambos são naturais do Acre e estavam sob custódia na penitenciária federal de Mossoró desde 27 de setembro de 2023, conforme divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública na época.

No ano passado, a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Acre informou que Rogério e Deibson estavam entre os detentos envolvidos na rebelião ocorrida em julho de 2023 no presídio de segurança máxima Antônio Amaro Alves. Na ocasião, cinco prisioneiros foram assassinados. 

Deibson foi detido em agosto de 2015 e também cumpriu pena no presídio federal de Catanduvas, no Paraná. Ele tem condenações e é acusado de envolvimento em assaltos, furtos, roubos, homicídios e latrocínio.

Já Rogério estava cumprindo pena no Acre quando foi transferido para o Rio Grande do Norte. Ambos são membros de uma organização criminosa e deveriam cumprir uma sentença de dois anos, até 25 de setembro de 2025.

O presídio federal de Mossoró foi inaugurado em 2009 e é o único localizado no Nordeste. Com uma área de 13 mil metros quadrados, abriga mais de 200 detentos e nunca havia registrado uma fuga.

Além de Mossoró, o Sistema Penitenciário Federal conta com presídios em Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Brasília (DF), que abrigam detentos de alta periculosidade.

Fonte: Redação Terra
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