IML troca corpos, e família só descobre após enterro em SP
Irmão diz que foi induzido a erro ao reconhecer o corpo; funcionário do IML foi afastado
A troca de dois corpos no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo só foi descoberta durante o reconhecimento de uma das vítimas, no domingo. A essa altura, porém, o outro morto já havia sido enterrado pela família.
Antônio Iak, 73 anos, morreu na última quinta-feira após ser atropelado na rua Domingos de Morais, na Vila Mariana, zona sul da capital. O irmão dele, José Iak, compareceu ao IML para fazer o reconhecimento do corpo. De acordo com o advogado da família, Iak foi “induzido a erro” ao reconhecer o corpo de Valdenilson de Barros, 55 anos, como sendo o corpo do irmão.
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“Ele contou que o irmão tinha bastante cabelo e barba, mas um funcionário do IML afirmou que tudo havia sido cortado, que isso era um procedimento normal para a realização da autópsia. O funcionário insistiu, e ele acabou reconhecendo o corpo”, disse o advogado Ademar Gomes.
A família de Antônio Iak, então, realizou velório e enterro na sexta-feira, sem saber que o corpo era, na verdade, de Valdenilson de Barros, 55 anos. Barros também na quinta-feira, mas o caso dele foi registrado como “morte suspeita”, já que o corpo tinha sinais de violência. A troca só foi descoberta no sábado, quando familiares de Barros foram ao IML fazer o reconhecimento do corpo.
Em nota divulgada à imprensa, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informa que o IML atribui à família de Iak a responsabilidade pela troca, mas que o funcionário que prestou o atendimento já foi afastado pelo instituto.
Confira a íntegra da nota:
A diretoria do Instituto Médico Legal informa que a troca de corpos aconteceu porque o Sr. José Ale Iak reconheceu o corpo do irmão Antonio Iak de maneira equivocada. José compareceu ao IML à 1h do dia 29 – o irmão havia morrido na mesma data. Além de reconhecer visualmente o cadáver, o irmão da vítima assinou documentos atestando o reconhecimento. Na verdade, o corpo “reconhecido” era de Valdenilson de Barros. O equívoco foi descoberto na manhã do dia 30. O IML tentou avisar a família Iak, mas o sepultamento do corpo de Valdenilson já havia sido realizado como sendo o de Antonio. Cabe salientar que os corpos estavam com pulseiras com numeração para identificação, que remetiam a planilhas datiloscópicas que confirmavam as identidades corretas a partir do reconhecimento de digitais. Por isso, o IML determinou imediata apuração dos fatos, já afastando o funcionário que prestou atendimento para apurar eventual negligência. Para contornar a situação e auxiliar as famílias, o IML requisitou à Justiça a exumação do corpo de Valdenilson para o correto sepultamento das duas vítimas.