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Greve dos professores: Educação orienta pais a levarem alunos para as aulas e diz que docentes faltantes terão desconto em folha

Os professores da rede estadual de ensino decidiram entrar em greve contra a privatização da gestão de 200 escolas

29 mai 2024 - 19h03
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A Secretaria de Educação do Paraná (Seed-PR) informou nesta quarta-feira (29) que faltas de professores e funcionários da Educação a partir de segunda-feira (3) terão desconto em folha de pagamento. Os professores da rede estadual de ensino decidiram entrar em greve a partir de 3 de junho contra a privatização da gestão de 200 escolas. A decisão foi tomada no sábado (25), após Assembleia Estadual (Alep) que reuniu mais de 4 mil educadores e definiu pela paralisação total das atividades. 

Foto: SEED-PR/Arquivo. / Banda B

Apesar da decisão pela greve, diretores e chefes de núcleo foram orientados pela Seed a encaminhar as informações sobre os profissionais faltantes para o gabinete da pasta. "Qualquer interrupção na rotina escolar compromete gravemente o cronograma de estudos e, consequentemente, o rendimento dos alunos", disse a Secretaria.

A orientação aos pais é que encaminhem os filhos à escola normalmente, pois as aulas continuam conforme o calendário escolar. Os diretores precisam garantir o funcionamento das escolas e a entrada de estudantes, servidores e terceirizados. Se os terceirizados forem impedidos de trabalhar, o pagamento do dia não trabalhado não será descontado da empresa terceirizada, que deve comunicar à Secretaria, mas ficará sob a responsabilidade do diretor.

Parceiro da Escola

Além do motivo da privatização, os professores também têm em pauta as questões financeiras não cumpridas pelo governo de Ratinho Junior (PSD), de acordo com a APP-Sindicato.

A proposta que o governo do Paraná vai enviar à Alep é de privatizar a gestão de 200 escolas da rede pública estadual e instituir o programa Parceiro da Escola para repassar a empresas privadas, a partir de 2025, a gestão administrativa e financeira dos colégios estaduais com baixo IDEB e em áreas de vulnerabilidade social.

Para a APP-Sindicato, a proposta "representa a privatização e o fim da escola pública". Algumas das consequências, verificadas em duas escolas que já foram privatizadas, a Anibal Khury Neto de Curitiba e Anita Canet de São José dos Pinhais, são que professores PSS terão seus contratos rescindidos e perderão o emprego.

A reportagem da Banda B entrou em contato com a APP-Sindicato para uma posição sobre o desconto em folha para os professores faltantes informado pela Seed.

O que diz o Governo do Paraná?

O Governo do Paraná defende que o programa Parceiro da Escola foi concebido justamente para apoiar os diretores. "Como o nome informa, ele prevê uma parceria. Ele tem o objetivo de permitir que os diretores se dediquem apenas às atividades pedagógicas para promover um aprendizado ainda maior dos estudantes da rede. O projeto de lei que está em análise na Assembleia Legislativa também propõe um modelo democrático com consulta de pais, estudantes, professores e diretores antes da efetivação", diz o Poder Executivo.

O programa não atinge escolas indígenas, aquelas em comunidades quilombolas e em ilhas ou as cívico-militares. Segundo as regras, o parceiro contratado deverá utilizar os Sistemas Estaduais de Registro Escolar, ficando a cargo da Secretaria de Estado da Educação a expedição de normativas para o uso. O parceiro contratado também poderá utilizar as plataformas digitais disponibilizadas pela Seed para aplicação de seu plano de trabalho.

Uma pesquisa realizada com pais e responsáveis de alunos matriculados nas duas escolas participantes do projeto-piloto mostra que mais de 90% deles aprovam o programa, segundo informa o governo estadual. Entre os benefícios estariam o aumento da frequência escolar à inexistência de aulas vagas.

Banda B
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