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Fogo consome 13% do Parque da Chapada dos Guimarães e fecha pontos turísticos

Agentes do Ministério do Meio Ambiente e bombeiros lutam contra as chamas há pelo menos 15 dias; moradores de Cuiabá têm sofrido com neblina constante

9 set 2019
21h31
atualizado às 23h19
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CUIABÁ - A cachoeira Véu da Noiva, principal e mais procurado ponto turístico do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, foi fechado nesta segunda-feira, 9, por volta das 14 horas por causa das queimadas. Há pelo menos 15 dias brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMbio), órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente, e soldados do Corpo de Bombeiros do Estado lutam contra as queimadas. Além da Chapada dos Guimarães, no Cerrado, a Floresta Amazônia tem sofrido com grande número de queimadas este ano.

Dados apontam que cerca de 13% do parque já foram consumidos pelas chamas. O combate ao fogo fica mais difícil por fatores como o forte calor, baixa umidade do ar e os ventos fortes. O ponto mais crítico das queimadas aconteceu este fim de semana, quando o fogo atingiu o ponto turístico conhecido como Portão do Inferno, às margens da rodovia MT 257, que liga Cuiabá à Chapada dos Guimarães. O combate ao fogo no local começou no domingo, 8, atravessou a noite, e continua por esta segunda-feira. O fogo se alastra rumo a outro ponto turístico, o Complexo da Salgadeira. As chamas também atingiram propriedades rurais na região das cachoeiras do Marimbondo e Geladeira.

Cuiabá tem vivido sob fumaça e fuligem

Há dias, a capital de Mato Grosso tem amanhecido imersa em uma grande neblina de fumaça e fuligem. O fenômeno é resultado da poluição atmosférica em decorrência das queimadas, principalmente na área do parque e em suas imediações.

Neste domingo, moradores de um prédio no bairro Goiabeiras, região nobre, foram surpreendidos pela fuligem que cobria a água da piscina. O fenômeno se repetiu em todos os locais que dispõem dessa área de lazer. "Não tem como usar com essa fuligem", disse a jornalista a escritora Martha Baptista, moradora da área. Ela disse que hesita em sair de casa "com medo do que vou encontrar na rua".

Moradores reclamam que têm de fazer faxina na casa"mais vezes por causa da fuligem". E não adianta manter portas e janelas fechadas. Chega pelo ar e entra nos imóveis, conta a comerciante Orijane da Silva 48 anos. Segundo a secretaria municipal de saúde, tem aumentado a busca nos postos de saúde por atendimentos relacionados a doenças respiratórias, infecciosas agudas das vias aéreas superiores e infecciosas crônicas das via aéreas inferiores.

Conforme os Bombeiros, há incêndios ativos em cerca de dez municípios. Existem, diz o órgão, condições adversas ao combate e favoráveis ao fogo: Mato Grosso sofre com uma estiagem de 100 dias, com temperaturas oscilando até 41 graus e a umidade, que neste domingo chegou a 7%. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até esse domingo, foram 19.711 pontos de calor. Esse é o pior nível dos últimos nove anos.

Estadão
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