Emissora de pastor é condenada por violência psicológica e discriminação na Justiça do Trabalho
Fundação Internacional de Comunicação (FIC), que controla veículos de comunicação do pastor R. R. Soares, foi obrigada a mudar tratamento
A Fundação Internacional de Comunicação (FIC), que controla emissoras de televisão, rádios e outros veículos do pastor R.R. Soares, foi obrigada pela Justiça do Trabalho a mudar o tratamento que dá aos funcionários após uma ação civil pública proposta neste mês pelo Ministério Público do Trabalho.
A instituição do líder da Igreja Internacional da Graça enfrenta acusações de violência psicológica, discriminação por idade, gênero, raça e orientação sexual, imposição de padrões de beleza a funcionárias e diversas outras infrações trabalhistas. As informações foram reveladas pelo jornal Folha de S. Paulo.
Segundo o inquérito instaurado pelo MPT, havia também uma orientação extraoficial para não contratar negros, mulheres acima de 50 anos e homossexuais para aparecerem em vídeos e gravações, de acordo com os procuradores.
A ação tramita na 30ª Vara do Trabalho de São Paulo. Segundo o MPT, o diretor da RIT TV, Kalled Adib, concentra a autoria da maior parte das condutas abusivas denunciadas. Os funcionários eram obrigados a ouvirem gritos, humilhações de colegas e coações durante a rotina de trabalho. Além disso, não há qualquer canal interno para denunciar esses abusos na fundação.
Kalled, por exemplo, fazia comentários sobre "menopausa", "calor", "pele velha" e "idade para aparecer em vídeo" para ridicularizar as apresentadoras. De acordo com as denúncias, ele também deixou de contratar um estagiário por ele ser negro. O diretor chegou a dizer ainda que um dos profissionais "se masturbava demais, pois suas mãos eram extremamente amarelas", quando o mesmo reclamou da baixa temperatura na sala.
Após a conclusão do inquérito, a Justiça do Trabalho decidiu pela condenação da RIT TV e estabeleceu exigências para mudar o tratamento aos funcionários, que, se não seguidas, pode acarretar na multa diária de R$ 30 mil, mais R$ 1.000 para cada funcionário que mostrar ter sido prejudicado, assediado ou ridicularizado pela direção.
O Terra entrou em contato com a RIT TV, mas não obteve retorno até o fechamento dessa matéria. O canal de manifestação continua aberto.