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'É uma minoria', dizem populares sobre atos de vandalismo em SP

Dia foi de limpeza e conserto nos estragos causados por manifestantes na região da prefeitura de São Paulo

19 jun 2013
15h28
atualizado às 16h09
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Um dia depois das cenas de destruição nos arredores da prefeitura de São Paulo, as pessoas que passavam pela região pararam nesta quarta-feira para ver os estragos causados por vândalos que depredaram prédios públicos e comércios durante o protesto de terça-feira, e lamentaram o ocorrido. 

<p>Funcionários da prefeitura de São Paulo trabalham na limpeza e no conserto do prédio, após os atos de vandalismo em meio aos protestos nesta terça-feira</p>
Funcionários da prefeitura de São Paulo trabalham na limpeza e no conserto do prédio, após os atos de vandalismo em meio aos protestos nesta terça-feira
Foto: Daniel Fernandes / Terra

“É triste. É muito triste, porque não tem de ser assim (com violência). Não é assim que se reivindica, se faz protesto”, disse a assessora imobiliária Vanessa Correia Pereira, 31 anos, que passava apressada pelo local, mas parou para conferir os danos causados no prédio da prefeitura de São Paulo. “E é uma minoria que faz isso e estraga o que os outros estão tentando fazer.”

Para o empresário Raildo Silva de Sousa, 71 anos, os estragos têm significado especial. “É difícil de ver isso, essa bagunça. Trabalhei aqui por 14 anos. Esse prédio é histórico, é muito antigo. Faz parte da história de São Paulo”, afirmou. 

Segundo o subprefeito da Sé, Marcos Barreto, a ação de um grupo de vândalos deixou um saldo de 29 estabelecimentos depredados, entre lojas e agências bancárias. Prédios antigos que são tombados pelo patrimônio histórico, como o Theatro Municipal de São Paulo e a prefeitura, foram pichados.

Ao todo, 189 lixeiras públicas foram depredadas pelo grupo. O pórtico na praça do Patriarca também sofreu várias pichações. Sete bandeiras do município e do Estado foram danificadas e serão recolocadas.

“É feio, não é assim (com vandalismo). Mas mostra que o povo não aguenta mais, que tá revoltado, afirmou a copeira Rosineide Rodrigues de Sousa, 30 anos. 

Segundo a subprefeitura, 350 pessoas trabalham na limpeza no centro e na região da rua Augusta. Segundo o subprefeito Marcos Barreto, o serviço começou ainda durante a madrugada e já está bem avançado. "O trabalho já começou a ser feito, para devolver à cidade o que foi destruído", disse ele.

“Apoio totalmente os protestos, as manifestações. O povo tem que lutar mesmo. Isso (as manifestações em todo País) repercutiu no mundo todo. (...) Acho que o pessoal que quebrou tudo se aproveitou que não tinha polícia aqui, que a polícia não estava agindo com força, para fazer esse vandalismo”, afirmou o comerciante Uelinton Barbosa dos Santos, 33 anos. 

A equipe da subprefeitura se reuniu com o Departamento do Patrimônio Histórico da cidade para avaliar como será feita a limpeza. Os trabalhos de remoção do rastro de destruição deixado pelos vândalos nesses edifícios começaram nesta quarta-feira. A expectativa é que as pichações sejam removidas até quinta-feira.

Enquanto Uelinton acredita que as imagens de vandalismo não superaram a beleza dos protestos pacíficos, o servente de pedreiro Antônio Nascimento Pereira Neto, 23 anos, que trabalha para a prefeitura e recolocava no local pedras que formam o calçamento e foram retiradas e atiradas, diz que a imagem do País saiu prejudicada após esta terça-feira.

“Está todo mundo de olho aqui (no Brasil). Cheio de gente de fora vindo, por causa da Copa das Confederações. Qual a imagem que fica? É isso (de violência). É uma minoria, que faz com que a imagem que fique seja essa”, afirmou. “Tem de protestar mesmo, mas tem de pensar no modo certo”, ponderou. 

Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em cenários de guerra.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, prédios, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Veja a cronologia e mais detalhes sobre os protestos em SP

Mais de 250 pessoas foram presas durante as manifestações, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. A mobilização ganhou força a partir do dia 13 de junho, quando o protesto foi marcado pela repressão opressiva. Bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar na rua da Consolação deram início a uma sequência de atos violentos por parte das forças de segurança, que se espalharam pelo centro.

O cenário foi de caos: manifestantes e pessoas pegas de surpresa pelo protesto correndo para todos os lados tentando se proteger; motoristas e passageiros de ônibus inalando gás de pimenta sem ter como fugir em meio ao trânsito; e vários jornalistas, que cobriam o protesto, detidos, ameaçados ou agredidos.

As agressões da polícia repercutiram negativamente na imprensa e também nas redes sociais. Vítimas e testemunhas da ação violenta divulgaram relatos, fotografias e vídeos na internet. A mobilização ultrapassou as fronteiras do País e ganhou as ruas de várias cidades do mundo. Dezenas de manifestações foram organizadas em outros países em apoio aos protestos em São Paulo e repúdio à ação violenta da Polícia Militar. Eventos foram marcados pelas redes sociais em quase 30 cidades da Europa, Estados Unidos e América Latina.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40.

O prefeito da capital havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. A proposta foi aprovada, mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.

Fonte: Terra
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