'Digitalização não resolve tudo, daqui a pouco não conseguiremos pagar nuvem', diz secretária de SP
No São Paulo Innovation Week, secretária de Gestão da Prefeitura de São Paulo, Marcela Arruda, alertou para dificuldades com inovações tecnológicas
A Prefeitura de São Paulo tem mais de 20 milhões de processos físicos em seus arquivos. Desde 2015, os documentos que contam toda a história da cidade mais populosa e rica do País passaram a ser digitalizados. Hoje, já são 8 milhões de processos digitais, e a tendência para os próximos anos é ter apenas suas versões virtuais. Mas a secretária municipal de Gestão, Marcela Arruda, alerta que isso não resolveu todos os problemas: os custos para manter os documentos físicos não reduziram por causa da digitalização, já que é necessário pagar para manter os dados na nuvem.
"As complexidades de hoje, que parecem já estar resolvidas, não estão. Se o meu problema for recurso público e dinheiro, daqui a pouco não conseguirei pagar a nuvem", defendeu Marcela. A declaração ocorreu na palestra São Paulo como Laboratório de Inovação Urbana, no São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação. O evento é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15.
Para a secretária, esse desafio não é apenas do setor público, mas também vale para a iniciativa privada. "Qual estratégia vai sustentar esses custos a longo prazo?", questiona.
O presidente da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo (Prodam), Francisco Forbes, destaca ser impossível gerenciar uma cidade do tamanho de São Paulo sem tecnologia. Mas afirma que a digitalização não pode ocorrer "de forma burra".
Forbes afirma que esse processo precisa envolver a eliminação de dados e sistemas que são dispensáveis. "A digitalização precisa ser pensada de uma maneira perene e não temporária. Temos secretarias com mais de 10 sistemas sobrepostos e com bancos de dados sobrepostos. Você acaba tendo uma pilha de digitalização, que é uma complexidade para gerenciar e uma porta aberta para ataques cibernéticos."
"Quanto mais digitais, mais vulneráveis estamos", aponta o presidente da Prodam. "Qualquer sistema que subimos na nuvem ajuda com algum problema, mas é uma porta aberta para criminosos tentarem invadir."
Segundo ele, a Prodam não sofreu nenhum ataque cibernético. "Isso é um desafio hercúleo porque temos 100 milhões de tentativas de ataques todos os meses."
São Paulo Innovation Week
O SPIW terá formato similar ao do Rio Innovation Week e vai ocupar espaços simbólicos da cidade: a Arena Pacaembu e a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap).
A previsão é de que a nova conferência atraia 30 mil visitantes por dia com palestras de grandes nomes internacionais e brasileiros, debates, espaços para troca de conhecimento e palcos com performances e atrações musicais.
Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.
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