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Demolição de anexo do Espaço Augusta de Cinema em SP é liberada por conselho do patrimônio

Imóvel foi vendido em 2022 para a incorporadora Vila 11 e será transformado em um prédio comercial. Em 2023, Justiça chegou a barrar demolição após mobilização social e inquérito do MP

3 dez 2024 - 10h31
(atualizado às 17h07)
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O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo liberou a demolição do imóvel que abrigava o anexo do Espaço Augusta de Cinema, na rua Augusta, no centro da capital paulista. O espaço foi vendido em 2022 para a incorporadora Vila 11 e será transformado em um prédio comercial.

Segundo a Secretaria Municipal de Cultura, a aprovação ocorreu por decisão unânime em reunião ordinária do Conpresp nesta segunda-feira, 2. A construtora recebeu aval para a demolição das salas 4 e 5 do Anexo do Espaço Augusta de Cinema sob três condições:

  • Deverá apresentar e obter aprovação de um novo projeto para o cinema que funcionará no local;
  • Cronograma das obras terá que ser aprovado pelo Conpresp;
  • Se aprovado, o projeto terá de ser acompanhado a cada quatro meses por uma comissão da Zona Especial de Preservação Cultural - Área de Proteção Cultural (Zepec-APC).

A pasta ainda alega que o objetivo é "preservar e garantir que as atuais salas de cinema tenham a fachada mantida no novo empreendimento. O prédio previsto para o local tem uso misto e prevê a ampliação do cinema no térreo e primeiro andar, com acesso público da calçada."

Ainda de acordo com a gestão municipal, a situação do café existente no Anexo do Espaço Augusta de Cinema não esteve em pauta na reunião desta segunda-feira. A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) informa que o empreendimento tem Alvará de Demolição e Alvará de Aprovação de Edificação Nova em análise.

Mobilização, inquérito do MP e veto da Justiça

Há quatro anos a venda do imóvel gera revolta entre cinéfilos e frequentadores do espaço. A proprietária do Cine Café Fellini tentou diversas alternativas para reverter o fechamento. Em 2022, Silvia Oliveira elaborou um abaixo-assinado que reuniu mais de 50 mil assinaturas em favor do local.

Vista da frente do Espaço Itaú de Cinema Anexo, que deverá ser demolido
Vista da frente do Espaço Itaú de Cinema Anexo, que deverá ser demolido
Foto: Tiago Queiroz / Estadão / Estadão

Os documentos e as mobilizações da sociedade civil despertaram a atenção do Ministério Público do Estado de São Paulo, que abriu um inquérito civil para barrar a demolição.

À época, o órgão apontou para o risco ao patrimônio histórico e cultural provocado pelo fechamento do cinema, tradicional espaço da cinefilia paulistana. O documento também questionava a omissão do Conpresp em apreciar o pedido de tombamento do endereço. O destino do anexo também foi tratado em audiências públicas na Câmara dos Vereadores, em busca de uma alternativa para preservar o patrimônio.

Em fevereiro do ano passado, a Justiça de São Paulo aceitou parcialmente o pedido do Ministério Público em uma ação contra a demolição. Em março de 2023, o espaço foi reconhecido como Zonal Especial de Preservação Cultural - Área de Proteção Cultural (Zepec-APC).

Por conta disso, a construtora foi obrigada a incluir as salas de cinema como fachada ativa no projeto do empreendimento, depois aprovado pelo órgão de preservação.

Anexo do Espaço Itaú de Cinema que será demolido para dar a mais um aranha céu na Rua Augusta. FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
Anexo do Espaço Itaú de Cinema que será demolido para dar a mais um aranha céu na Rua Augusta. FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Histórico

O cinema incentivou a revitalização da Rua Augusta. O comércio do seu entorno, como lojas, bares e restaurantes, foi estimulado pelo expressivo número de frequentadores das cinco salas. Também ajudou a promover a formação de público por meio de cursos e projetos como Escola no Cinema, Sessão Cinéfila, Clube do Professor e Curta às Seis, que deu projeção aos curtas-metragistas.

Estadão
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