Cremerj adverte médico acusado da morte da mãe do menino Sean
O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) divulgou nesta quinta-feira o resultado do processo administrativo contra o médico Nadir Farah, acusado de cometer um erro que causou a morte de Bruna Bianchi, mãe do menino Sean Goldman. A entidade entendeu que o profissional não teve responsabilidade direta no caso e a punição, classificada como censura pública, se deve ao fato de Farah não ter denunciado as condições de trabalho na Casa de Saúde São José.
O médico foi enquadrado, assim como a colega Izabel de Araújo Nogueira, na letra C do artigo 22 do Código de Ética Médica que diz que os profissionais devem "apontar falhas nos regulamentos e normas das instituições em que trabalhem, quando as julgar indignas do exercício da profissão ou prejudiciais ao paciente, devendo dirigir-se, nesses casos, aos órgãos competentes e, obrigatoriamente, à Comissão de Ética e ao Conselho Regional de Medicina de sua jurisdição".
De acordo com advogado Paulo Lins e Silva, pai do padrasto de Sean, a médica Izabel, que sofre de esclerose múltipla e tem dificuldades de locomoção, ficou sozinha com Bruna Bianchi, embora a equipe médica, chefiada por Farah, soubesse que a situação da paciente era grave. O discurso foi endossado à época das investigações pelo delegado Carlos Sodré, da 10ª DP (Botafogo), responsável pelo caso.
A estilista Bruna Bianchi, que tinha 34 anos, morreu em 2008 durante o parto de sua segunda filha. O relatório das investigações apontava um erro médico da equipe que a atendeu. Há dois processos judiciais sobre o caso em tramitação, um criminal e outro cível.
O Conselho Regional de Medicina, através de sua assessoria de imprensa, afirmou que não presta outros esclarecimentos, além das informações publicadas no comunicado oficial, sobre casos julgados no Conselho de Ética da entidade.
Segundo especialistas, o simples fato de o Conselho ter se reunido e exposto publicamente a advertência já é algo incomum e pode ser considerado uma punição.
A avó do menino Sean e mãe de Bruna Bianchi, Silvana Bianchi, disse ficou sabendo da sentença durante a manhã desta quinta-feira, ao se deparar com o informe oficial em um jornal de grande circulação. Ela não quis opinar sobre a decisão, mas responsabilizou a equipe médica pelos problemas que afligem sua família.
"Não sei dizer se a pena foi ou não branda, deixo para Deus julgar isso. Mas o que posso dizer é que ele acabou com a vida da minha filha e da minha família por negligência. Hoje eu tenho duas crianças órfãs de mãe, que estão separadas e não podem nem se comunicar", afirma.
De acordo com Silvana, a demora da Justiça, em que ela pleiteia o direito de visitar o neto, faz com que a família brasileira não tenha nem sequer notícias sobre a criança. "Não tenho nenhuma notícia do meu neto há um ano e quatro meses. Não o vejo há mais de dois anos, nem um telefonema, e-mail, nada. Ele já vai fazer 12 anos e está tudo parado na Justiça. Quando isso for julgado, ele pode até ter idade suficiente para vir ao Brasil sozinho, se quiser, de tanto que está demorando", desabafa.
Entenda o caso
Sean Goldman nasceu nos Estados Unidos em 2000, filho de pai americano e mãe brasileira. A mãe, Bruna Bianchi, o trouxe ao Brasil em 2004 para passar as férias, mas decidiu pedir o divórcio e permanecer no País em definitivo. Ela se casou novamente com o advogado João Paulo Lins e Silva e morreu em 2008, logo após o nascimento da filha da segunda união, Chiara, por complicações no parto.
O padrasto conseguiu a guarda provisória do menino, mas o pai biológico, David Goldman, recorreu à Justiça federal, alegando sequestro. Ele pediu que o menino fosse devolvido aos Estados Unidos, uma vez que a legislação internacional determina que o garoto deve morar no país onde foi criado. Após uma briga judicial entre a família brasileira e o pai biológico, a Justiça brasileira autorizou a partida de Sean no final de 2009.