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Covid avança em bairros nobres de SP; 1 em cada 10 já foi infectado na região centro-oeste

Resultados de mais uma etapa do inquérito sorológico em adultos foram divulgados nesta quinta-feira, 17, em entrevista coletiva; houve aumento também nas regiões leste e norte

17 set 2020
15h04
atualizado às 22h29
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Dados da quinta fase do inquérito sorológico feito com adultos na cidade de São Paulo (pessoas acima de 18 anos) mostraram um avanço do novo coronavírus em bairros nobres, principalmente da região centro-oeste. De acordo com o estudo, a região, que no penúltimo inquérito sorológico apresentava uma prevalência de 5,2%, passou agora para 10,3%. Isso significa que um a cada 10 moradores da região já têm anticorpos para a doença. Houve aumento também nas regiões leste (que passou de 12,3% para 19,6%) e norte (de 8,3% para 12,1%). Em bairros de IDH alto, a alta foi de 53%.

"Não podemos deixar de destacar esse aumento em distritos de maior índice de desenvolvimento humano (IDH), um aumento de 100% na região centro-oeste, uma das mais ricas da cidade. Os inquéritos ajudam a implementar políticas específicas para cada fase. E acende uma luz amarela esse aumento na classe A e B", disse o prefeito Bruno Covas (PSDB).

Na coletiva, não foram explicados os motivos que estariam levando a esse crescimento em bairros nobres, mas em entrevista ao Estadão na semana passada, o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, afirmou que a alta está acontecendo na população que conseguiu fazer melhor o isolamento social durante o auge da pandemia, mas que agora está saindo às ruas, no comércio, em bares e restaurantes, e está sendo infectada. No entanto, segundo ele, esse dado não é indicativo de uma segunda onda iminente.

Mesmo diante do avanço em bairros nobres, a covid-19 ainda é mais prevalente em bairros de IDH mais baixo. A prevalência é de 19,1%, tendo registrado um aumento de 36% da doença em relação ao último inquérito. Já os bairros de IDH médio têm prevalência de 13,2% e tiveram uma variação de apenas 1,1%. Nos bairros de IDH alto, esse índice é de 9,5%.

O inquérito mostra, no entanto, que quando o recorte é feito por classe social, pessoas das classes D e E têm seis vezes mais chances de pegar a doença, com taxa de 18,7%, que pessoas da classe A (3,1%).

O estudo também mostra que a prevalência continua sendo mais alta entre jovens, sendo de 15,4% entre pessoas de 18 a 34 anos. Entre os que tem 35 a 49 anos, esse índice é de 14,6%.

Os resultados mostram também que 13,9% dos entrevistados já tinham anticorpos para a covid-19. Isso equivale a 1,6 milhão de pessoas na cidade.

O inquérito sorológico foi feito entre os dias 25 e 27 de agosto com amostragem por sorteio aleatório de abrangência de 472 unidades básicas de saúde (UBS) e o teste aplicado foi o imunocromatográfico IGM/IGG.

Professor vê relação entre aumento de casos e reabertura de estabelecimentos

Para Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, o aumento do número de casos em bairros nobres da capital é reflexo da reabertura de estabelecimentos que podem ser considerados como "de elite", entre eles restaurantes e salões de beleza. "Com as medidas de relaxamento, as pessoas se sentiram mais à vontade e foram para a praia", afirma Alves. Ele reforça que, ao se observar a média móvel, não há uma diminuição sustentável de casos, mas sim estabilidade. "O Plano São Paulo é de recuperação econômica, não de saúde pública."

Nesta quinta-feira, 17, bares da Vila Madalena estavam com poucos clientes. Algumas pessoas, no entanto, estavam com saudade da rotina boêmia. É o caso da farmacêutica Amanda Villas-Boas, de 24 anos, que se reuniu com alguns amigos no fim de tarde. Ela conta que teve covid-19 e sentia falta de se encontrar com as pessoas. "O local em que eu trabalho é o mais insalubre possível".

Um grupo que finalizou um curso de joias decidiu se reunir para celebrar em uma esquina da rua Aspicuelta. "Foi a primeira vez que vimos todos sem máscara", conta a joalheira Rafaela Sugawara, de 25. Ela afirma que o grupo optou por ir ao local por estar vazio e ser ao ar livre, seguindo todos os protocolos de segurança.

Dono de cinco bares na região, Flávio Pires, de 55 anos, conta que vem seguindo à risca as recomendações sanitárias. Desde que a reabertura foi permitida, o faturamento caiu 80%. "Até o fim do ano, muitas pessoas vão quebrar. Infelizmente o poder público não tem conhecimento do setor", diz ele, afirmando que o movimento aumenta justamente quando ele precisa fechar.

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Estadão
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