Comunidade terapêutica é fechada em Novo Hamburgo após denúncias de maus-tratos e internações forçadas
Fiscalização encontrou castigos físicos, ausência de alimentação adequada e restrição da liberdade de pacientes; cerca de 30 internos foram encaminhados às famílias
Uma comunidade terapêutica foi interditada em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, nesta sexta-feira (19). A ação foi realizada pela Polícia Civil em conjunto com a Vigilância Sanitária, após denúncias anônimas de irregularidades como castigos físicos e a permanência de pacientes contra a vontade.
Foram constatadas situações como permanência e adesão involuntárias, ausência de documentação dos acolhidos, relatos de punições físicas e medicamentosas, além de falta de alimentação suficiente para a quantidade de pessoas. Os internos também não eram informados de que poderiam interromper o tratamento a qualquer momento. A equipe técnica era considerada insuficiente.
De acordo com a investigação, os castigos incluíam socos no rosto e golpes de mata-leão aplicados em quem descumpria determinações. Aproximadamente 30 pacientes viviam no local e foram encaminhados às suas famílias.
Os responsáveis pela instituição terão 15 dias para apresentar defesa. Até o momento, os nomes dos proprietários e do estabelecimento não foram divulgados.
A operação contou ainda com a participação da Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação e da Guarda Municipal. Embora tenham sido cumpridos mandados de busca e apreensão, não houve prisões, já que nenhuma situação de flagrante foi registrada. A polícia também investiga possível apropriação indébita de bens dos internos.