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Por dentro de megacentral dos golpes em SP, onde cada setor é especializado em uma fraude

Em um único prédio, bandidos operavam ao menos 7 'empresas' distintas; estelionatos incluem falsas renegociações de juros em empréstimos consignados

1 ago 2025 - 11h37
(atualizado às 16h11)
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A Polícia Civil de São Paulo desarticulou uma megacentral de telemarketing usada para aplicar golpes nessa quinta-feira, 31. A estrutura criminosa - que incluía divisão de setores pelo tipo de fraude e roteiro para enganar vítimas - operava em um prédio comercial de Guarulhos, na região metropolitana da capital. Ao menos 60 pessoas foram presas em flagrante por suspeita de envolvimento no esquema.

Os nomes dos detidos na Operação Cavalo Fantasma não foram revelados, desta forma as defesas não foram localizadas. No cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os investigadores encontraram a central em pleno funcionamento.

"Os supostos 'funcionários' estavam aplicando o golpe em tempo real contra novas vítimas. Também foram localizados quadros com metas financeiras e roteiros de abordagem que orientavam os suspeitos na manipulação das vítimas", detalha a Secretaria da Segurança Pública.

Todos os suspeitos serão submetidos a audiência de custódia ainda nesta sexta-feira, 1º, no fórum da cidade.

Polícia Civil desarticula 'megacentral' de golpes na Grande São Paulo.
Polícia Civil desarticula 'megacentral' de golpes na Grande São Paulo.
Foto: Divulgação/SSP / Estadão

Com roteiro para enganar vítimas

Conforme a SSP, para enganar as vítimas, o esquema criminoso contava com um roteiro de conversa e uma estrutura sofisticada, com divisão de setores como atendimento, contabilidade e gerenciamento.

No local foram apreendidos 56 computadores, 54 celulares e documentos diversos, que vão ajudar a esclarecer o crime.

Todos os suspeitos foram encaminhados ao 27° Distrito Policial, no Campo Belo, na zona sul paulistana, onde permaneceram presos por organização criminosa.

Como esquema foi descoberto

Segundo a polícia, as investigações tiveram início após denúncia de uma vítima que relatou ter sido enganada ao contratar um falso serviço de assessoria para renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), por meio de um aplicativo de mensagens.

"Ela recebeu mensagem informando que a CNH dela estava com irregularidades, sendo que a empresa ofereceu 'ajuda'. Porém, não havia pendências na habilitação dela. Mesmo assim, a vítima teve prejuízo estimado em R$ 9 mil entre o pagamento de taxas e transações feitas pelos golpistas após conseguirem os dados pessoais", acrescenta a secretaria.

Policiais da 2ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco) avançaram nas investigações, identificando o endereço de uma empresa falsa, o que, posteriormente, levou à expedição e cumprimento de 11 mandados de busca pela Justiça.

"Conseguimos identificar que a empresa responsável por aplicar o golpe naquela mulher funcionava ali, mas depois constatamos o registro de outros seis Cadastros Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJs) diferentes funcionando no mesmo lugar", disse o delegado Danilo Correia, da 2ª Cerco.

Em um único prédio, operavam pelo menos sete empresas distintas, cada uma focada em um tipo de fraude, incluindo falsas renegociações de juros em empréstimos consignados, financiamentos bancários e supostos serviços de regularização de CNH.

Os suspeitos enganavam vítimas oferecendo serviços e dívidas com juros abusivos, além de empréstimos que exigiam o pagamento de taxas para liberação de dinheiro que nunca era entregue, segundo o delegado.

A investigação constatou ainda que todos os CNPJs envolvidos tinham boletins de ocorrência registrados de vítimas anteriores.

Estadão
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