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Ao menos 41 cidades de SC e RS registraram neve esta semana; prefeituras usam ginásio e alugam vagas

Moradores de rua fizeram fila em frente a ginásio de Porto Alegre em busca de ajuda; frente fria deve manter temperaturas baixas até domingo

29 jul 2021 23h19
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FLORIANÓPOLIS - As temperaturas negativas no sul do País, que levaram milhares de turistas para ver neve nas serras catarinense e gaúcha, também acendeu alerta para as pessoas que vivem em vulnerabilidade. Na região serrana de Santa Catarina, equipes de Defesa Civil e Assistência Social dos municípios recolheram mais de 60 pessoas nas ruas que foram encaminhadas para abrigos. Em Porto Alegre, pessoas em situação de rua formaram fila em busca de uma vaga na estrutura montada no ginásio Gigantinho. A previsão de temperaturas negativas permanece para o fim de semana.

Em Santa Catarina, ao menos 26 municípios registraram neve. No Rio Grande do Sul, o fenômeno ocorreu em 15 cidades. A neve de 2021 só não foi maior que a nevasca de 2013, quando o fenômeno ocorreu em 141 cidades do Sul. Em muitos municípios onde não havia nevado em 2013, desta vez nevou, como Passo Fundo e Caxias do Sul.

Em Porto Alegre, o ginásio Gigantinho virou abrigo para moradores de rua, que formaram fila para conseguir alimento e os kits que estavam sendo entregues no local; quem quis também pode dormir por lá. Mais de 100 pessoas pernoitaram no local. Outras 383 pessoas foram acolhidas em albergues e pousadas conveniadas na capital gaúcha.

A Prefeitura de Florianópolis foi outra que buscou vagas na rede conveniada. Na capital catarinense, os termômetros marcaram 1,9ºC e pelo menos 431 pessoas foram acolhidas. Segundo o município, 159 foram encaminhadas para abrigo emergencial, sendo 121 pessoas na Passarela da Cidadania e outras 38 no hotel conveniado pela prefeitura.

Em Caxias, o município precisou aumentar a capacidade de acolhimento de pessoas que não têm abrigo fixo, de 175 para 240 vagas. Em Chapecó, no oeste de Santa Catarina, os termômetros marcaram -1,6ºC e pelo menos 16 pessoas abordadas nas ruas foram auxiliadas com transporte por uma força-tarefa montada na cidade.

A cidade organizou local para atendimento das pessoas em vulnerabilidade e serviu 110 refeições na madrugada de quarta para quinta-feira. Um sopão preparado por voluntários da Cruz Vermelha também foi servido para os indígenas acampados na cidade. A Casa de Passagem abrigou 42 pessoas que não tinham condições adequadas para passar a noite. Coordenador da Defesa Civil de Chapecó, Luciano Hüning reforçou que, além de estar bem agasalhado, é importante também a boa alimentação, para que o corpo possa produzir calor.

Em Lages e em São Joaquim, os kits incluíam também pedaços de lenha, já que nessas cidades, onde o frio é comum, muitas das casas utilizam fogão a lenha. "O fogão esquenta toda a casa e é algo cultural na nossa região", explicou Lauro Santos, assessor de Políticas Públicas da Associação dos Municípios da Serra Catarinense.

A neve que ocorreu entre a noite de quarta-feira, 28, e o início da madrugada desta quinta-feira, dia 29, foi o resultado da combinação entre a umidade/nebulosidade vinda do oceano, proveniente da circulação de um ciclone extratropical em alto mar com a presença do ar muito frio da massa de origem polar sobre o sul do Brasil.

Em Santa Catarina, 61 municípios registraram mínimas abaixo de zero com formação de geada. A menor temperatura registrada esse ano foi em Bom Jardim da Serra, com 8,6°C negativos. Urupema e Bom Jardim estiveram durante toda a quarta-feira abaixo de zero grau.

A Assessoria de Turismo dos municípios da serra catarinense estima que 300 mil pessoas devem ter passado pelas cidades frias do Estado em julho. A oferta de leitos este ano aumentou 42% em relação ao ano passado e, mesmo assim, a lotação foi máxima em praticamente toda a serra.

Estadão
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