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Anac abre processo para investigar queda de helicóptero na BA

20 jun 2011 - 17h50
(atualizado às 18h03)
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A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) abriu um processo administrativo para apurar as possíveis irregularidades referentes ao acidente com o helicóptero da última sexta-feira, em Trancoso (BA), que vitimou cinco pessoas e deixou mais duas desaparecidas. O helicóptero pertence à empresa Firt Class Group Administração e Participação Ltda. e, segundo a Anac, há indícios de que ele estava sendo pilotado por Marcelo Mattoso de Almeida no momento do acidente.

Segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro, a situação da aeronave era regular, mas no caso das habilitações de Marcelo Mattoso de Almeida, elas estavam vencidas desde 2005, neste modelo de helicóptero. Além disso, conforme nota da Anac, ele não tinha certificado de capacidade física (CCF) válido. Para obter a autorização do voo, foi declarado no plano entregue a Aeronáutica o código pertencente ao piloto Felipe Calvino Gomes, que está regular.

Cinco mortos e dois desaparecidos

Mergulhadores do Comando do 2º Distrito Naval da Marinha retomaram, por volta das 6h desta segunda-feira, as buscas a duas pessoas que estão desaparecidas desde a noite de sexta-feira no litoral sul da Bahia, após a queda do helicóptero. Segundo a Marinha, as buscas se concentram no interior da cabine da aeronave, localizada no último domingo a cerca de 250 m da costa, na região de Trancoso, a 10 m de profundidade.

Os navios patrulha Gravataí e Varredor Albardão, além das embarcações da Agência da Capitania dos Portos em Porto Seguro, lanchas civis, aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Polícia Militar da Bahia continuam realizando as buscas na área do acidente. "As condições climáticas na região são favoráveis à execução das buscas, porém a baixa visibilidade da água restringe a ação dos mergulhadores", disse a Marinha em nota.

No fim da noite de domingo, as equipes de resgate encontraram o corpo de Mariana Fernandes Noleto, namorada de um dos filhos do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). O cadáver foi localizado boiando próximo à área do acidente e identificado por familiares.

Além de Mariana, foram confirmadas, até o momento, as mortes de Fernanda Kfuri (ex-mulher do cantor da banda Biquini Cavadão, Bruno Gouveia); seu filho, Gabriel , 2 anos; Luca Kfuri de Magalhães Lins, 3 anos; e a babá Norma Batista de Assunção. Estão desaparecidos o empresário Marcelo Matoso de Almeida, que pilotava a aeronave, e Jordana Kfuri, mulher do empreiteiro Fernando Cavendish e mãe de Luca.

Enterro de filho de cantor

Foram enterrados na tarde de domingo, no Rio de Janeiro, os corpos de Fernanda Kfuri, 35 anos, e de seu filho Gabriel, 2 anos, fruto do relacionamento com o vocalista da banda Biquini Cavadão, Bruno Gouveia.

De acordo com a administração do cemitério São João Batista, em Botafogo, os dois foram sepultados às 15h. O cemitério estima que cerca de 150 pessoas acompanharam a cerimônia, que contou com um forte esquema de segurança. Muito abalado, Bruno chegou ao local sem falar com a imprensa. Os outros integrantes da banda, Miguel Flores da Cunha, Carlos Coelho e Álvaro Lopes, além da atriz Regina Casé, foram ao velório.

O acidente

A aeronave, modelo Eurocopter AS 350 B2 Esquilo, deixou Porto Seguro em direção ao condomínio de luxo Jacumã Ocean Resort, em Trancoso, e desapareceu na noite de sexta-feira. No momento do acidente havia uma forte neblina.

De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), a aeronave decolou de Porto Seguro às 18h41 e tinha previsão de voar por 10 minutos até a Fazenda Jacumã, seu destino final. A última visualização radar da aeronave ocorreu às 18h57, a aproximadamente 23 km, em direção ao mar, do aeródromo de Porto Seguro.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, estava no Jacumã Ocean Resort. O empresário Marcelo Almeida, presidente do First Class Group e dono do resort, saiu do condomínio de helicóptero para pegar o grupo de amigos e parentes de Cabral. Entretanto, em Porto Seguro, o filho do governador, Marco Antônio, e o marido de Jordana, Fernando Cavendish, não embarcaram na aeronave por falta de espaço. Seriam realizadas várias viagens para levar todos os convidados.

O piloto do helicóptero não fez qualquer contato com o controle de tráfego aéreo local para informar alguma anormalidade com a aeronave, segundo nota da FAB. A investigação das causas do acidente está a cargo do Segundo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 2), com sede no Recife (PE).

Aeronáutica investiga possível fraude do piloto

A Aeronáutica investiga quem liberou o plano de voo do empresário Marcelo de Almeida. Mantida em sigilo, a investigação tem o objetivo de detectar o controlador que teria autorizado o voo e se houve falha durante a consulta ao banco de dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), uma vez que a habilitação do empresário estava vencida e ele legalmente não poderia pilotar.

Algumas hipóteses para a liberação do voo estão sendo apuradas. A primeira é de que o piloto teria informado dados falsos, dando número de habilitação de outro piloto, com validade renovada. A outra é a possibilidade de a base de dados da Anac ter falhado na consulta feita pelo controle de tráfego aéreo. Ou, ainda, de que o empresário conheceria os agentes do controle do espaço aéreo local e avisou o plano de voo já decolando (por rádio ou telefone, o que é permitido) e nada sobre habilitação foi checado. Tal procedimento é irregular e abre processo investigatório contra o controle.

Como o empresário é bastante influente, ele pode ter avisado só para garantir sua segurança de voo. A FAB só vai se manifestar oficialmente, porém, ao fim da investigação.

Fonte: Terra
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