Centenas de pessoas recebem militares mortos no Haiti em Lorena
- Marcelo Pedroso
- Direto de Lorena
Sete corpos de militares brasileiros que morreram no terremoto que atingiu o Haiti no último dia 12 chegaram nesta madrugada em Lorena. Cerca de 200 pessoas, a maioria familiares e amigos com camisetas e fotos dos militares, acompanharam a cerimônia fúnebre. As homenagens foram prestadas pelo 5º Batalhão de Infantaria Leve (BIL) da cidade.
A solenidade foi realizada no pátio do batalhão, onde os caixões com os corpos de sete dos militares que integraram a missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) foram instalados em tendas individuais.
Participaram da solenidade familiares do sargento Davi Ramos de Lima e dos cabos Douglas Pedrotti Neckel e Washington Luis de Souza Seraphin, além dos soldados Tiago Anaya Detimermani, Antonio José Anacleto, Felipe Gonçalves Júlio e Rodrigo Augusto da Silva. Ao todo, 10 militares que serviam no batalhão morreram durante o terremoto. Todos eles foram promovidos post mortem.
A cerimônia teve início por volta de 1h15, logo após a chegada dos corpos, que vieram transportados em uma aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira) de Brasília até Guarulhos e, posteriormente, em um comboio pela via Dutra até Lorena. Para não atrapalhar os velórios e enterros programados pelos familiares para esta sexta, o comando do 5º BIL optou por uma celebração simples.
A cerimônia foi celebrada pelo capelão do Comando de Aviação do Exército (Cavex) de Taubaté, capitão Marcos da Costa Ramos. "A morte, para o cristão, é uma vitória com aparência de derrota", disse o capelão durante a cerimônia.
Mais conformados com a perda, familiares voltaram a destacar o espírito de patriotismo dos jovens que foram para o Haiti. "Na verdade é uma despedida, uma coisa bonita, mas que é muito triste. É uma missão que ele cumpriu, uma coisa que ele queria muito. Estamos tristes, mas ao mesmo tempo sabemos que ele foi um brasileiro que morreu no cumprimento do dever, ajudando as pessoas, o que ele queria fazer", disse Mirian Anaya Xavier da Costa Prado, prima do soldado Anaya.
Tio do cabo Seraphin, Jocélio de Souza Santos afirmou que o momento é de prestar as últimas homenagens e de se conformar. "Não há muito o que comentar. Ele saiu para uma aventura, mas infelizmente teve essa tragédia. Temos que nos conformar."
Monumento aos militares
Em Lorena, a prefeitura está programando a construção de um monumento em homenagem aos militares do 5º BIL.A ideia é encaminhar à Câmara um projeto de lei para ser apreciado pelos vereadores ao término do recesso legislativo, que acontece a partir de 1º de fevereiro. Uma das possibilidades é a construção de um memorial na praça Rosendo Pereira Leite, localizada nas proximidades da unidade do Exército e conhecida como a "praça do quartel". Outra possibilidade seria a escolha de uma outra praça no município, que receberia uma denominação em homenagem ao grupo.
Terremoto
Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti no último dia 12, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.
Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 75 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.
Morte de brasileiros
A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, o tenente da Polícia Militar do Distrito Federal Cleiton Batista Neiva, e pelo menos 18 militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto. Também foi confirmada a morte de uma brasileira com dupla nacionalidade, cuja identidade não foi divulgada.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o país. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.
O Brasil no Haiti
O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.
A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.