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Caminhoneiros acatam ordem da Justiça e liberam Fernão Dias

Categoria cobra melhorias nas condições de trabalho, redução no preço dos pedágios e diminuição do preço do óleo diesel

3 jul 2013 - 11h21
(atualizado às 11h35)
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Um dia depois de a Justiça Federal ter acatado o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e determinado o desbloqueio das rodovias federais que cortam Minas Gerais, caminhoneiros liberaram nesta quarta-feira trechos da BR-381, a rodovia Fernão Dias, que liga o Estado a São Paulo. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Minas, foram desfeitos na manhã de hoje os bloqueios nos municípios de Carmópolis de Minas, no quilômetro 589; Oliveira, no quilômetro 617, e Santo Antônio do Amparo, nos quilômetros 636 e 648.

Protesto contra aumento das passagens toma as ruas do País; veja fotos

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O trecho da mesma rodovia próximo a Igarapé, no quilômetro 513, continua fechado para a passagem de caminhões, nos dois sentidos, segundo a corporação. O trânsito de carros de passeio e ônibus está liberado. Segundo a PRF, outro ponto de bloqueio a caminhões está sendo mantido no quilômetro 807 da BR-040, no município de Matias Barbosa, sentido Rio de Janeiro.

Os protestos de caminhoneiros causaram interdição, na manhã de ontem, em sete trechos de rodovias que atravessam o Estado, o mais atingido pelas manifestações da categoria, que começaram na segunda-feira. Os caminhoneiros reivindicam melhorias nas condições de trabalho, redução no preço dos pedágios e diminuição do preço do óleo diesel.

De acordo com a AGU, o bloqueio das rodovias, além de causar transtornos à população, pode provocar prejuízos à economia do País. Como ocorrem em rodovias federais por onde passam diariamente cargas perigosas, como combustíveis, e outros produtos químicos de alta combustão, há ainda risco de acidentes envolvendo esses veículos.

A Justiça de São Paulo também concedeu liminar proibindo o bloqueio de rodovias no Estado. A decisão foi tomada pelo juiz Randolfo Ferraz de Campos, da 14ª Vara da Fazenda Pública, que atendeu ao pedido da Procuradoria-Geral do Estado. Em caso de descumprimento da liminar por parte dos manifestantes, terão de pagar multa de R$ 20 mil por hora.

A PRF em Minas Gerais informou que um outro protesto ocorre na manhã de hoje, também na BR-040, interrompendo o tráfego de veículos em dois pontos da rodovia, próximo ao município de Congonhas. Os bloqueios ocorrem nos quilômetros 603 e 622. A PRF informou que o grupo reivindica a construção de uma passarela no local.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País

Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Agência Brasil Agência Brasil
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