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Brasil

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Austrália acusa policiais envolvidos em morte de brasileiro por choques

13 dez 2013 - 03h50
(atualizado em 14/12/2013 às 12h06)
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<p>Laudisio morreu no dia 18 de março de 2012, após ter sido atingido por 14 disparos de taser</p>
Laudisio morreu no dia 18 de março de 2012, após ter sido atingido por 14 disparos de taser
Foto: Divulgação

Quatro dos 11 policiais envolvidos na morte do estudante brasileiro Roberto Laudísio Curti vão a julgamento em Sydney, na Austrália. A promotoria de Justiça do Estado de New South Wales (NSW) anunciou na sexta-feira que há evidências suficientes para abrir processo criminal contra os acusados.

Roberto Laudísio morreu no dia 18 de março de 2012, aos 21 anos de idade, após uma perseguição policial no centro de Sydney. Acusado de roubar um pacote de biscoitos de uma loja de conveniências, o brasileiro recebeu 14 disparos de armas de choque (taser), foi algemado, controlado com cassetete e atingido por três latas de spray de pimenta. Um inquérito concluiu, no final do ano passado, que a ação dos policiais foi decisiva para a morte do estudante.

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Agora, a promotoria decidiu formalizar a denúncia contra os policiais, que não serão julgados por homicídio. Eric Lim e Damian Ralph vão ser processados por agressão, e Scott Edmondson e Daniel Barling vão a julgamento por agressão ou lesão corporal. "O processo criminal é um passo na direção certa, mas a família acredita que as acusações não são suficientes", afirmaram os familiares, em nota.

Contrariando as normas do manual de operações da polícia, Eric Lim foi o primeiro a disparar o taser nas costas do brasileiro, durante a perseguição. O policial ainda fez um segundo disparo, quando Roberto já estava no chão. Damian Ralph aplicou três latas de spray de pimenta a dez centímetros do rosto do estudante, quando o mínimo recomendado é de 60 centímetros. Scott Edmondson e Daniel Barling continuaram aplicando o taser diretamente no corpo do brasileiro, quando ele já estava detido e algemado na calçada.

A operação aconteceu sem comando, e o policial mais experiente do grupo, o ex-sargento Gregory Cooper, está livre de processo. Ele usou o próprio corpo para controlar Laudísio, podendo ter contribuído para sua asfixia, de acordo com o inquérito preliminar. Logo depois da morte, Cooper foi promovido a inspetor.

Em comunicado, o Departamento de Polícia de NSW declarou que "ações administrativas internas continuam em vigor para os policiais envolvidos". Eles continuam trabalhando, mas sem direito ao uso de armas de choque. A polícia acrescentou ainda que "não comentará o caso enquanto houver um processo legal em andamento".

A decisão da promotoria pública se baseia em recomendação da Comissão de Integridade da Polícia, que analisou as ações dos policiais envolvidos na morte do brasileiro.  A primeira audiência deve acontecer no início do ano que vem.

Fonte: Terra
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