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2º dia de audiência tem cantoria do Samba da Lava Jato

Entre os depoentes de hoje, está Leonardo Meirelles, acusado de ser laranja de Youssef na Labogen e que diz ter o doleiro omitido patrimônio em sua delação premiada

3 fev 2015
15h13
atualizado em 4/2/2015 às 12h14
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No segundo dia de audiências da Operação Lava Jato na Justiça Federal, uma figura destoou entre a movimentação de advogados, testemunhas e imprensa em frente à sede da Justiça Federal em Curitiba: o músico Marcos Moura. Ele tocava em seu cavaco o "Samba da Lava Jato", de sua autoria. “É o maior escândalo da história do País. O povo está indignado e eu transformei essa indignação e a esperança de que o Brasil tome jeito em música”, disse Moura.

Ao menos três depoimentos geram grande expectativa entre os advogados envolvidos e a promotoria, neste segundo dia: estão na sala da audiências da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba a ex-gerente da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca, que disse ter alertado a presidente da Petrobras, Graça Foster, sobre os desvios na estatal, a ex-contadora de Alberto Youssef, Meire Poza e o empresário Leonardo Meirelles, acusado de ser “laranja” de Youssef na Labogen e que denunciou que o doleiro teria omitido patrimônio em sua delação premiada.

Primeira a depor, Meire Posa disse que sua oitiva foi tranquila, focada na emissão de notas que ela, como contadora da GFD, empresa de fachada de Youssef, emitiu para a Engevix. “Foram feitas perguntas sobre a existência de fato da empresa, sobre a prestação de serviços e, de fato, ela não prestava os serviços que foram descritos nas notas emitidas para as empreiteiras”.

<p>Meire Posa disse que a Engevix prestava os serviços descritos nas notas emitidas para as empreiteiras.</p>
Meire Posa disse que a Engevix prestava os serviços descritos nas notas emitidas para as empreiteiras.
Foto: Roger Pereira / Especial para Terra

Segundo Meire, seu depoimento prova apenas que “as empreiteiras, por algum motivo, deviam algum valor para o Alberto”, mas ela disse não saber explicar quais os motivos. A contadora, no entanto, negou que as empresas eram vítimas de algum achaque ou chantagem por parte do doleiro. “Não, era tudo muito bem acordado, no caso da Engevix mesmo, os contratos vinham redigidos por eles”, contou. Com a Engefix, a GFD assinou um contrato de consultoria de R$ 2,13 milhões, em 10 parcelas de 213 mil. A contadora disse não ter conhecimento de repasse de dinheiro a políticos: “O dinheiro que entreva na GFD era usado na GFD, para capitalizar a empresa”.

Uma das primeiras testemunhas a contar à Polícia Federal o que sabe, Meire disse que chegou a ter medo por algumas ameaças que sofreu, mas foi uma questão passageira. “Talvez tenha até havido exagero. Senti uma tentativa de me inibir, mas nunca uma ameaça a ponto de pedir proteção policial, por exemplo. É um processo que se resolve aqui”, declarou.

A audiência de hoje é referente à que envolve a Engevix, construtora acusada de formação de cartel, fraude em licitações e de pagamento de propina ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Na entrada da Justiça Federal, nenhuma outra testemunha (também vão depor hoje Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Julio Camargo – da Toyo Setal) atendeu à imprensa, nem os advogados dos réus.

O único advogado a dar declaração foi, novamente, Antonio Augusto Figueiredo Basto, que defende Alberto Youssef. Ele disse que poderá aproveitar a audiência para confrontar a declaração de Meirelles sobre a omissão de patrimônio de Youssef.

Fonte: Especial para Terra
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