Brasil tem 822 mil estupros por ano ou dois por minuto, estima Ipea
A maior quantidade de casos ocorre entre jovens, com o pico de idade aos 13 anos.
<p>Estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) chama a atenção para um problema crítico no <a href="https://brasil.perfil.com/agronegocios/produtividade-do-cafe-do-brasil-tem-media-estimada-de-29-sacas-por-hectare.phtml">Brasil</a> e que afeta principalmente as mulheres: o número estimado de casos de <a href="https://brasil.perfil.com/brasil/meninas-de-10-a-14-anos-de-idade-sao-maioria-das-vitimas-de-estupros.phtml">estupro</a> no país por ano é de 822 mil, o equivalente a dois por minuto.<img decoding="async" style="width: 1px; height: 1px; display: inline;" src="" class="img-fluid lazy" data-src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1513704&o=rss" /><img decoding="async" style="width: 1px; height: 1px; display: inline;" src="" class="img-fluid lazy" data-src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1513704&o=rss" /></p> <p>O estudo se baseou em dados da Pesquisa Nacional da Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNS/IBGE), e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, tendo 2019 como ano de referência. De acordo com o Sinan, a maior quantidade de casos de estupro ocorre entre jovens, com o pico de idade aos 13 anos.</p> <p>Com base nessa estimativa, o Ipea também calculou a taxa de atrito para o país, ou seja, a proporção dos casos estimados de estupro que não são identificados nem pela polícia, nem pelo sistema de saúde. A conclusão é que, dos 822 mil casos por ano, apenas 8,5% chegam ao conhecimento da polícia e 4,2% são identificados pelo sistema de saúde.</p> <p>"<em>O quadro é grave, pois, além da impunidade, muitas das <a href="https://brasil.perfil.com/brasil/vitimas-do-litoral-de-sp-vao-receber-adiantamento-do-bolsa-familia.phtml">vítimas</a> de estupro ficam desatendidas em termos de saúde, já que, como os autores ressaltam, a violência sexual contra as mulheres frequentemente está associada a depressão, ansiedade, impulsividade, distúrbios alimentares, sexuais e de humor, alteração na qualidade de sono, além de ser um fator de risco para comportamento suicida</em>", diz o Ipea.</p> <p>Quanto às relações entre agressores e vítimas de estupro, notam-se quatro grupos principais: os parceiros e ex-parceiros, os familiares (sem incluir as relações entre parceiros), os amigos/conhecidos e os desconhecidos.</p> <p>Neste cenário, a estimativa de 822 mil estupros por ano é, de acordo com os responsáveis pela pesquisa, conservadora. Pesquisador do Ipea e um dos autores do estudo, <strong>Daniel Cerqueira</strong> afirmou que faltam pesquisas especializadas sobre violência sexual abrangendo o universo da população brasileira. Segundo ele, uma limitação das análises é que elas se fundamentam inteiramente numa base de registros administrativos (Sinan).</p> <p>"<em>O registro depende, em boa parte dos casos, da decisão da vítima, ou de sua família, por buscar ajuda no Sistema Único de Saúde", </em>disse, em nota, o pesquisador. Segundo o Ipea, dessa forma, o número de casos notificados difere<em> "substancialmente da prevalência real, pois muitas vítimas terminam por não se apresentar a nenhum órgão público para registrar o crime, seja por vergonha, sentimento de culpa, ou outros fatores</em>".</p> <blockquote class="twitter-tweet"> <p dir="ltr" lang="pt">Neste começo de março, Mês da Mulher, um estudo publicado pelo <a href="https://twitter.com/ipeaonline?ref_src=twsrc%5Etfw">@ipeaonline</a> chama a atenção para um problema crítico no Brasil e que afeta principalmente as mulheres: o número estimado de casos de estupro no país por ano é de 822 mil, o equivalente a dois por minuto. <a href="https://t.co/kjMwuY9HFg">pic.twitter.com/kjMwuY9HFg</a></p> <p>— Ipea (@ipeaonline) <a href="https://twitter.com/ipeaonline/status/1631276433023565826?ref_src=twsrc%5Etfw">March 2, 2023</a></p></blockquote> <p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>