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Bolsonaro fala em juiz "terrivelmente evangélico" para STF

Presidente: "Estado é laico, mas nós somos cristãos. Poderei indicar dois ministros para o Supremo. Um deles será terrivelmente evangélico"

10 jul 2019
10h02
atualizado às 10h52
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O presidente Jair Bolsonaro assumiu há pouco o compromisso de indicar um ministro "terrivelmente evangélico" para uma das duas vagas a serem abertas no Supremo Tribunal Federal durante seu mandato. Bolsonaro afirmou compromisso durante culto de Santa Ceia realizado pela Frente Parlamentar Evangélica na Câmara dos Deputados.

O presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro
Foto: Adriano Machado / Reuters

"O Estado é laico, mas nós somos cristãos. Ou, para plagiar minha querida Damares (Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos): nós somos terrivelmente cristãos. E esse espírito deve estar presente em todos os poderes. Por isso, meu compromisso. Poderei indicar dois ministros para o Supremo Tribunal Federal. Um deles será terrivelmente evangélico", disse Bolsonaro, aplaudido pelos parlamentares da frente, assessores e convidados que lotaram o auditório Nereu Ramos.

Bolsonaro já havia indicado antes a intenção de indicar um cristão ou um evangélico para o Supremo, mas sem assumir um compromisso explícito publicamente.

O presidente disse que os evangélicos foram essenciais na inflexão da pauta moral nos últimos anos, a partir de 2010. Segundo ele, a família vinha sofrendo nos últimos governos. "Aquele chavão que era da política passou a ser de todos nós: Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", disse, citando seu slogan de campanha.

Em maio, o presidente já tinha dado sinais de que pretendia emplacar um evangélico no STF, quando fez uma série de crítica à Corte. "Não me venha a imprensa dizer que eu quero misturar a Justiça com a religião. Todos nós temos uma religião ou não temos. Respeitamos e tem que respeitar. Será que não está na hora de termos um ministro do Supremo Tribunal Federal evangélico?", perguntou o presidente, aplaudido de pé por fiéis que participaram da Convenção Nacional das Assembleias de Deus, em Goiânia, na ocasião.

Previdência

O presidente da República passou todo o discurso sem abordar abertamente a votação hoje da reforma da previdência no plenário da Câmara. Bolsonaro pediu apoio dos parlamentares em votações da pauta do governo.

Ele elogiou genericamente o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que em sua visão "tem conduzido muito bem as questões de interesse do País", e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), "uma pessoa que tem o coração maior que o peito", nas palavras de Bolsonaro. O presidente afirmou que no segundo semestre "nossos olhos se voltarão para o grande e pequeno Davi Alcolumbre."

O presidente entrou na Câmara sem falar com a imprensa. Na chegada ao auditório Nereu Ramos, ao ser questionado pelo Broadcast Político sobre se vai aproveitar a ida à Câmara para discutir pontos da proposta de reforma da Previdência com deputados, Bolsonaro disse, em tom de brincadeira, que já está entre parlamentares. "A discussão está com eles, a bola está com eles", afirmou o presidente.

Já o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), disse que "graças a Deus hoje teremos uma grande vitória no plenário da Câmara dos Deputados para começar a transformar o Brasil", em referência à votação da reforma.

Apresentado como "o escolhido" de Deus por Onyx, Bolsonaro afirmou ser apenas um instrumento e destacou o potencial da parceria entre o Planalto e o Congresso. "Vocês são mais que amigos, são irmãos. Homens e mulheres que querem o bem do próximo e nós juntos podemos fazer aquilo que o povo quer e merece, um Brasil melhor para todos. Ninguém faz nada sozinho. A Força do Executivo com o Legislativo é inimaginável, ainda mais tendo paz e Deus no coração".

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Estadão
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