Bloqueios no WhatsApp acendem alerta para empresas
Otto Gomes, Head de Produto e Inovação da Zapper, recomenda que empresas tratem o WhatsApp como um canal corporativo estratégico, com regras claras e governança definida, e não como um meio informal de contato
Diferentes veículos de comunicação repercutiram, no final de 2025, que contas de WhatsApp foram bloqueadas de maneira inesperada. Segundo divulgado pelo g1, a Meta (responsável pelo aplicativo) não comentou o caso, mas o motivo do bloqueio estaria ligado à suspeita de spam — envio recorrente de mensagens indesejadas —, mesmo que o usuário não adotasse a prática.
A situação pode gerar preocupação para as empresas. Isso porque perder uma conta traz riscos ao negócio, especialmente em um contexto no qual 95% das empresas brasileiras adotam o WhatsApp para comunicação. O dado consta em um estudo encomendado pela plataforma de vendas Yalo e divulgado pela Exame.
"Essa onda de suspensões parece ser resultado de uma combinação de fatores, com destaque para decisões algorítmicas mais rigorosas da própria plataforma, que vem intensificando o combate a spam, fraudes e usos considerados indevidos do WhatsApp", avalia Otto Gomes, Head de Produto e Inovação da Zapper, ferramenta de monitoramento de WhatsApps corporativos com foco em inteligência, segurança e performance.
Segundo Gomes, os sistemas da Meta passaram a interpretar com mais rigor práticas que antes eram toleradas, resultando em mais bloqueios. "Claro que fatores como falhas humanas e automação contribuem para o problema, mas o ponto central é que o WhatsApp entrou em uma fase de amadurecimento e controle mais restrito, em que a ausência de estrutura, rastreabilidade e gestão do canal aumenta significativamente o risco de suspensão — muitas vezes sem aviso prévio", alerta.
Ele explica que o WhatsApp tende a penalizar empresas que enviam mensagens para listas sem opt-in (consentimento explícito), especialmente quando o destinatário não reconhece o contato.
Além disso, uma baixa taxa de resposta ou alto volume de bloqueios e denúncias por parte dos usuários são sinais que acionam os mecanismos de bloqueio. Outro fator relevante é o envio de mensagens repetitivas.
"Ainda que não se possa afirmar com certeza que o WhatsApp avalia diretamente o conteúdo das mensagens, já que, teoricamente, as conversas são protegidas por criptografia de ponta a ponta, a plataforma provavelmente observa sinais indiretos de comportamento, como padrões de envio, volume, taxa de resposta, bloqueios e denúncias", pontua Gomes.
No caso de mensagens repetitivas ou muito semelhantes, o risco tende a estar menos no texto em si e mais na dinâmica do disparo, especialmente quando se trata de contatos frios, sem histórico prévio de interação ou opt-in claro.
Na avaliação do Head de Produto e Inovação, esse conjunto de fatores (envio proativo para contatos que não reconhecem o número, baixa resposta e aumento de bloqueios) é o que mais provavelmente acelera os mecanismos de controle do aplicativo.
O uso de números pessoais para atividades comerciais também tem sido um gatilho comum. Sem uma gestão clara e visibilidade sobre esses fatores, muitas empresas só percebem o risco de suspensão quando o número já foi bloqueado, acrescenta Gomes.
Impactos
"O primeiro impacto imediato costuma ser a frustração. Um canal central da rotina de colaboradores e gestores simplesmente deixa de funcionar, muitas vezes sem aviso prévio, o que quebra planejamentos e impede o cumprimento de demandas que dependiam diretamente do WhatsApp", diz Gomes.
A partir disso, surgem efeitos como a perda direta de vendas, já que a empresa fica impossibilitada de se comunicar com clientes de forma contínua. Mensagens deixam de ser respondidas no tempo esperado, o que pode gerar cancelamentos, abandono de negociações e aumento da insatisfação do público.
Para o cliente, a interrupção pode ser interpretada como desorganização ou falha no atendimento, gerando desconfiança. Soma-se a isso a perda de histórico de conversas e dados, o que compromete a continuidade do relacionamento e reduz a eficiência operacional da empresa como um todo.
"Ao tentar retomar a operação em outro número, o principal gargalo é a perda de continuidade, já que o novo número não carrega o histórico de conversas, o contexto dos atendimentos nem os vínculos com clientes já existentes. Além disso, integrações precisam ser reconfiguradas, o que consome tempo, exige validações técnicas e, em muitos casos, depende de aprovações adicionais da própria plataforma", esclarece o Head de Produto e Inovação da Zapper.
Embora não seja uma ferramenta de desbloqueio ou recuperação de números, a Zapper oferece recursos de monitoramento que podem ajudar empresas a evitar práticas consideradas suspeitas. A empresa atua também no armazenamento para recuperar arquivos que poderiam ter sido perdidos.
"O que a Zapper mitiga é justamente essa ruptura. Mesmo com a troca de número, todo o histórico de conversas é preservado, permitindo que a operação siga a partir de outro número sem perda de contexto, dados ou visibilidade. Isso pode reduzir significativamente o impacto em SLA [acordo de nível de serviço], experiência do cliente e eficiência operacional, mesmo quando a suspensão do número é inevitável", detalha Gomes.
Ele recomenda ainda monitoramento constante das interações, para identificar sinais de risco como queda nas respostas, aumento de bloqueios ou mudanças bruscas no padrão de uso. Em operações maiores, é fundamental que exista supervisão humana, especialmente antes de ações em escala, para validar conteúdo, cadência e público-alvo, diz o executivo.
"A Zapper analisa continuamente padrões associados a risco de bloqueio a partir de sinais comportamentais do uso do WhatsApp. Utilizando modelos de machine learning e inteligência artificial (IA), a plataforma consegue identificar variações anormais de volume, cadência, resposta e engajamento, com a premissa de ajudar as empresas a se manterem alinhadas às políticas da Meta de forma mais inteligente e preventiva", ressalta Gomes.
De forma geral, o Head de Produto e Inovação destaca a necessidade de tratar o WhatsApp como um canal corporativo estratégico, com regras claras e governança definida — e não como um meio informal de contato.
"Isso começa pela exigência de opt-in explícito, garantindo que os clientes autorizaram o recebimento de mensagens e reconhecem o contato da empresa", finaliza Gomes.
Para saber mais, basta acessar o site da Zapper: https://zapper.to/