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Vídeo: máquinas derrubam 'bunker' do PCC na Favela do Moinho, em São Paulo

Imóvel sem janelas era apontado como base do tráfico para abastecer a Cracolândia

22 jan 2026 - 15h30
(atualizado às 15h31)
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As demolições dos imóveis da Favela do Moinho, apontada pelo Ministério Público de São Paulo como centro de armazenamento e distribuição drogas na região central, atingiram um ponto simbólico nesta quarta-feira, 21. As máquinas começaram a destruir o sobrado que era apontado pela polícia como o 'bunker' dos criminosos dentro da comunidade.

Sem janelas e localizado no coração da favela, o imóvel era uma das maiores construções do local. De acordo com as investigações, o sobrado abrigava o que policiais descrevem como o quartel-general do tráfico. Dali, moradores e líderes comunitários ligados à facção Primeiro Comando da Capital (PCC) coordenariam a distribuição de drogas para a Cracolândia e outros pontos da cidade.

Era na favela que os criminosos armazenavam a droga antes de distribuí-la para entrepostos na Cracolândia, como a rede de hotéis e hospedarias de fachada.

Quase mil famílias reassentadas

O reassentamento das famílias está na fase final. Desde o início, em abril do ano passado, 838 das famílias já saíram da favela, sendo 237 para moradias definitivas. Já foram 606 unidades descaracterizadas e 495 demolidas, de acordo com a Secretária de Desenvolvimento Urbano e Habitação de São Paulo. Cerca de 100 famílias ainda vivem no local, na contabilidade da pasta.

Em 2024, Leonardo Moja, conhecido como "Léo do Moinho", apontado como chefe do tráfico na região, foi preso em um apartamento de luxo em Praia Grande (SP). A defesa nega. "A referida inocência já restou comprovada nas idênticas acusações, nos anos de 2018 e 2021, em que fora inocentado em decisões definitivas", afirmou o advogado Rodrigo Benetti em entrevista ao Estadão no final do ano passado.

Em setembro do ano passado, uma operação conjunta do MP, da PM e da Polícia Civil prendeu outros sete suspeitos, incluindo a irmã dele, Alessandra Moja, uma das líderes comunitárias. O sobrado pertence à família Moja, de acordo com a polícia. A Associação de Moradores do Moinho fala em "criminalização da pobreza" e que o "tráfico existe na região da mesma forma que em outros pontos da cidade".

As investigações do Ministério Público indicaram que lideranças do tráfico continuaram a comandar atividades criminosas a partir do sistema prisional, incluindo ordens para intimidar funcionários da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) e tentar impedir a saída de famílias da Favela do Moinho.

Problemas estruturais

As demolições tiveram início em dezembro do ano passado, após o cadastramento das famílias e das moradias pela CDHU. O levantamento técnico apontou graves problemas estruturais, como o uso de materiais altamente inflamáveis, ligações elétricas clandestinas e a existência de apenas uma via de acesso para entrada e saída da favela.

Em outubro, a Justiça federal determinou a suspensão das demolições por questões sanitárias. O pedido foi feito pela Defensoria Pública da União e pela Defensoria Pública do Estado após denúncias de riscos sanitários provocados pelo acúmulo de entulho. Após audiências de conciliação e a retirada de entulhos, a demolição prosseguiu.

O atendimento às famílias que estão deixando a comunidade ocorre de duas formas. Na primeira, elas podem optar por apartamentos oferecidos em um leque de 25 empreendimentos, em diferentes estágios: prontos, em construção ou com obras a iniciar.

Já a segunda alternativa permite que busquem imóveis por conta própria, em qualquer região do Estado, desde que atendam aos parâmetros do programa. Em ambas as possibilidades, os imóveis devem custar até R$ 250 mil, a depender da localização.

História de conflitos habitacionais

Localizada entre os bairros Campos Elíseos e Bom Retiro, entre duas linhas de trens, a comunidade se instalou em um terreno abandonado após a falência da indústria Moinho Central no início da década de 1990. É a última favela remanescente no centro de São Paulo.

Sua história é marcada por décadas de conflitos habitacionais, incêndios, recorrentes operações policiais e a presença de organização criminosa PCC. A favela deve desaparecer com a remoção total dos moradores e a transferência da sede do governo para a região. A intenção do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) é construir um parque e a estação Bom Retiro, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Em maio do ano passado, o governo federal anunciou um acordo firmado com o poder estadual para nova destinação do local. As famílias cadastradas deverão receber um imóvel quitado de até R$ 250 mil, sendo R$ 180 mil pagos pela União e R$ 70 mil pelo governo de São Paulo. Até a mudança definitiva, será concedido um auxílio-aluguel de R$ 1.200 por mês, por até um ano.

Até a formalização do acordo, o território se tornou foco de disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O governo estadual defende a desocupação da área e a transformação do espaço em um parque, enquanto o governo federal sustenta que a retirada dos moradores deve ocorrer com garantia de reassentamento e sem uso de força policial.

Estadão
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