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Banco Master possuía R$ 4 milhões em caixa antes de liquidação, afirma diretor do BC

Em depoimento à Polícia Federal, Ailton Aquino detalha disparidade entre os R$ 80 bilhões em ativos e a liquidez imediata da instituição financeira

30 jan 2026 - 20h16
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O diretor do Banco Central (BC), Ailton Aquino, apresentou informações à Polícia Federal (PF) sobre as condições financeiras que antecederam a liquidação extrajudicial do Banco Master, segundo o g1. De acordo com o depoimento, cujos vídeos foram liberados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), o Banco Master registrava apenas R$ 4 milhões em caixa no período prévio à intervenção do órgão regulador.

Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, em depoimento no Caso Master
Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, em depoimento no Caso Master
Foto: Reprodução vídeo / Perfil Brasil

Durante a oitiva, Aquino explicou que a instituição era classificada como S3 (médio porte), possuindo um total de ativos de R$ 80 bilhões. O diretor pontuou que, para o volume de ativos declarados, a expectativa técnica de liquidez em títulos livres deveria situar-se entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, de acordo com o g1. A redução da reserva para R$ 4 milhões motivou o acompanhamento rigoroso da supervisão para monitorar o fechamento do caixa.

A interrupção das atividades do banco pelo Banco Central, ocorrida em novembro, foi fundamentada nos seguintes pontos:

  • Identificação de alto custo de captação de recursos.

  • Exposição a investimentos de risco.

  • Prática de juros acima dos padrões vigentes no mercado financeiro.

A liquidação extrajudicial constitui o encerramento das operações de uma instituição financeira por determinação do BC. Neste processo, um liquidante assume a gestão, realiza a venda de ativos e organiza o pagamento de credores conforme a legislação. O objetivo é remover do sistema financeiro nacional entidades que apresentam insolvência ou riscos à estabilidade do setor.

Economistas consultados sobre o tema pelo portal g1 reforçam que instituições com menor histórico de mercado devem, tecnicamente, manter volumes de caixa superiores aos de bancos tradicionais para garantir a cobertura de seus passivos.

O depoimento também citou a Will Financeira (Will Bank), integrante do conglomerado do Banco Master. A empresa, que operava sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet), também sofreu liquidação extrajudicial recentemente.

O Banco Central relatou dificuldades na grade de pagamentos da financeira. Houve uma tentativa de preservação da operação para viabilizar a venda a investidores internacionais, porém o negócio não avançou. O cenário foi agravado pelo descumprimento de obrigações com a operadora Mastercard, resultando na suspensão dos cartões e na confirmação da insolvência da instituição pelo órgão regulador.

Perfil Brasil
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