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Agentes anti-imigração de Trump matam 2º civil em Minnesota

24 jan 2026 - 16h35
(atualizado às 18h06)
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Novo assassinato a tiros acirra tensão em marchas ao redor de Minneapolis, com relatos de truculência policial. Governador pede fim imediato da captura de indocumentados.Sob protestos contra as operações anti-imigração do governo dos Estados Unidos, a cidade de Minneapolis registrou neste sábado (24/01) o segundo assassinato de um civil em três semanas por agentes federais. O alvo desta vez foi Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos e nacionalidade norte-americana identificado pelos próprios pais.

Em 7 de janeiro, a cidadã norte‑americana Renee Good foi baleada e morta por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) durante uma operação para capturar migrantes indocumentados.

Somado aos repetidos relatos de violência durante as batidas do ICE ao redor do país, o assassinato de Good serviu de estopim para eclodirem manifestações massivas em Minneapolis, mesmo com temperaturas de -29 graus.

Quando o novo caso veio à tona, manifestantes já estavam espalhados por vários pontos da cidade para pedir a saída do ICE, que em 1 de janeiro mobilizou cerca de 2 mil agentes na cidade.

A notícia acirrou ainda mais a tensão, com diversos renovada opressão policial contra manifestantes reportada pela imprensa americana. De acordo com organizadores dos protestos, mais de 700 estabelecimentos comerciais no estado de Minnesota estavam fechados em consequência da convocatória para as marchas.

Vídeo mostra truculência

Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), Pretti se aproximou armado de oficiais de controle de fronteira, que vêm assistindo o ICE nas operações contra imigrantes.

"Os oficiais tentaram desarmar o suspeito", que "violentamente resistiu", disse o DHS na rede social X, publicando uma foto de uma arma que pertenceria a Pretti. Ele foi declarado morto no mesmo lugar.

Um vídeo, cuja autenticidade foi confirmada por autoridades, mostra vários agentes cercando uma pessoa caída no chão e a golpeando várias vezes. Vários disparos são ouvidos.

Em seguida, cerca de 200 manifestantes chegaram à cena e "começaram a obstruir e assediar" autoridades, segundo o DHS, afirmando que "medidas para controlar a multidão" foram aplicadas.

A NBC News reportou que dezenas de agentes federais mascarados estavam no local. Já a CNN relatou que as forças de segurança usaram gás lacrimogêneo em larga escala, com manifestantes procurando abrigo em estabelecimentos.

"Ele se importava com as pessoas"

Centenas de pessoas bloquearam o cruzamento onde Pretti foi baleado, em torno de um memorial improvisado em sua homenagem.

"Eles estão prejudicando nosso povo, estão levando nossos filhos embora", disse a manifestante Fabiola Rodriguez, sob os aplausos da multidão nas ruas. "Estamos pedindo justiça e paz para todos, não apenas para os latinos. Pedimos isso para todos."

Ela tinha nas mãos uma furadeira com a qual havia pregado cruz de madeira em um poste de luz, bem como o apito vermelho que os ativistas locais têm usado para alertar sobre a presença do ICE.

"Ele se importava profundamente com as pessoas e estava muito abalado com o que estava acontecendo em Minneapolis e em todo os Estados Unidos com o ICE, assim como milhões de outras pessoas estão abaladas", disse Michael Pretti, pai de Alex. "Ele sentia que protestar era uma forma de expressar isso, sabe, o cuidado dele com os outros."

Pretti era nascido em Illinois. Assim como Good, registros judiciais mostram que ele não tinha antecedentes criminais. Segundo a sua família, ele nunca teve qualquer interação com as forças de segurança além de algumas multas de trânsito.

Em uma conversa recente com o filho, seus pais, que vivem em Wisconsin, disseram a ele para ter cuidado ao protestar. "Tivemos essa conversa com ele há umas duas semanas, sabe, de que ele podia ir e protestar, mas não fazer nada estúpido", disse Michael Pretti. "E ele disse que sabia disso. Ele sabia."

Governador: "Minnesota chegou ao limite"

Em meio aos protestos crescentes, a polícia de Minneapolis pediu que a população mantenha a calma e "não destrua" a cidade.

"Minnesota chegou ao limite. Isso é revoltante," escreveu na rede social X o governador do estado, Tim Walz, companheiro da ex-vice-presidente Kamala Harrisna chapa democrata das últimas eleições.

Ele foi o primeiro a tornar público o caso e afirma que a investigação deve ser liderada por autoridades estaduais, e não federais. "O presidente precisa encerrar esta operação. Retirem os milhares de agentes violentos e sem treinamento de Minnesota. Agora."

Autoridades federais disseram que o agente responsável pela morte de Pretti era um veterano com oito anos de experiência. Por sua vez, Trump acusou o prefeito de Minneapolis e o governador de Minnesota de "incitarem uma ressureição".

O presidente já ameaçou antes evocar o chamado Insurrection Act (Ato de Insurreição), que o permitiria enviar tropas a Minnesota sob a justificativa de garantir a aplicação da lei.

Anteriormente, a Casa Branca respondeu ao assassinato de Good, baleada dentro do carro, chamando-a de "terrorista doméstica". Sobre o caso de Pretti, o DHS disse que os agentes federais estavam numa situação em que "parecia que um indivíduo queria provocar danos máximos e massacrar os agentes da lei."

ht (AP, Reuters, AFP, ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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