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Polícia identifica autora de ataque homofóbico em padaria em Santa Cecília, em SP

Delegacia investiga o caso e realizou a identificação da suspeita. Defesa diz que espera julgamento imparcial: 'História completa exige abordagem mais sensível'

8 fev 2024 - 15h19
(atualizado às 16h22)
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Jaqueline Santos Ludovico deverá prestar esclarecimentos sobre a denúncia de agressões que cometeu contra o jornalista Rafael Gonzaga e o namorado
Jaqueline Santos Ludovico deverá prestar esclarecimentos sobre a denúncia de agressões que cometeu contra o jornalista Rafael Gonzaga e o namorado
Foto: Reprodução/Redes sociais

A Polícia Civil de São Paulo identificou e intimou a mulher que proferiu ataques homofóbicos a um casal na madrugada do último sábado, 3, dentro de uma padaria na região central da capital. Jaqueline Santos Ludovico, de 33 anos, deverá prestar esclarecimentos sobre a denúncia de agressões físicas e verbais que cometeu contra o jornalista Rafael Gonzaga e o namorado, o engenheiro civil Adrian Grasson. Os policiais que atenderam o caso também serão ouvidos.

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Imagens divulgadas mostram o momento em que a mulher exaltada profere frases de cunho homofóbico contra o casal. Procurada pelo Estadão, Jaqueline afirmou não estar em condições de se manifestar sobre o caso no momento. A defesa, por sua vez, declarou que a mulher e a família estão sendo alvo de ataques desde o ocorrido e solicita ao poder público um julgamento imparcial "sem o peso indevido da pressão pública e do linchamento virtual".

"A história completa e a verdadeira complexidade dos eventos exigem uma abordagem mais sensível e equilibrada, que reconheça a situação de vulnerabilidade da Sra. Jaqueline e a injustiça de julgá-la apenas com base em fragmentos de informações", sugere a defesa em nota. Não foi detalhada qual seria a vulnerabilidade de Jaqueline no momento da ocorrência.

As vítimas registraram o boletim de ocorrência na segunda-feira, 5, dias depois do ocorrido, já que na ocasião afirmaram ter sido persuadidos a não comparecer à delegacia por policiais que atenderam o caso. "Tentaram fazer com que a gente não fosse naquele momento. Falaram: 'Se vocês forem fazer BO agora, não vai ter ninguém para atender vocês'", disse Gonzaga.

As investigações estão sob trabalho da Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais contra a Diversidade Sexual e de Gênero e outros Delitos de Intolerância (Decradi). Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), gravações apresentadas pelo casal estão sendo analisadas a fim de localizar possíveis "testemunhas e evidências que auxiliem na elucidação dos fatos".

Rafael Gonzaga e Adrian Grasson foram ouvidos pela Polícia e devem passar por exame de corpo de delito.

Relembre o caso

Jaqueline estava na padaria Iracema Pães & Doces no bairro Santa Cecília quando Rafael e Arian chegaram na madrugada de sábado, 3, por volta das 4h20. O casal decidiu parar no estabelecimento quando voltavam de uma festa. A confusão teria iniciado no momento em que a agressora se irritou por precisar sair de um local para que o carro das vítimas pudesse ser estacionado.

A mulher passou a proferir ofensas homofóbicas, seguindo para tentativa de agressões físicas. Chutes, tapas e até um cone de trânsito foi arremessado contra as vítimas, segundo o relato. Rafael e Adrian alegam ter sido feridos no rosto, e ficaram com sangramentos no nariz. A polícia foi acionada, mas todos os envolvidos foram liberados já que as vítimas não registraram boletim de ocorrência naquele momento.

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