Polícia pede prisão de tenente-coronel da PM por matar esposa em SP
Investigação apontou que Geraldo Leite Rosa Neto teve comportamentos violentos e abusivos
A Polícia Civil de São Paulo solicitou, nesta terça-feira, 17, a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. Ele é investigado pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada com um ferimento de bala na cabeça dentro do apartamento onde o casal vivia, no Brás, em 18 de fevereiro.
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O pedido ainda será analisado pela Justiça. De acordo com os investigadores, a medida busca evitar possíveis interferências na investigação por parte do acusado.
Segundo o próprio tenente-coronel, a morte teria sido resultado de um suicídio ocorrido após uma discussão entre o casal, na qual ele teria sugerido a separação. Ele afirma que estava no banho quando ouviu o disparo.
Em entrevista à TV Record, o policial relatou o momento em que encontrou a esposa já ferida. "Eu estava no banho e escutei um barulho forte. Não desliguei o chuveiro, apenas abri o box. Quando eu abri o box, eu abri um pedacinho da porta. Achei que ela estivesse em pé na porta do banheiro querendo falar comigo. Quando eu abri a porta, deu para ver. Ela estava caída no meio da sala com a cabeça no chão. Tinha uma poça de sangue se formando ao lado da cabeça. Foi a cena mais traumatizante... a pior cena que já vi em toda a minha vida", disse.
Apesar da versão apresentada, diversos pontos da investigação levaram a outra linha. O laudo necroscópico, elaborado no dia seguinte à morte, já indicava a presença de lesões no pescoço da vítima.
A ocorrência havia sido registrada como suicídio, mas passou a ser tratada como morte suspeita após familiares de Gisele relatarem um histórico de violência doméstica.
Os representantes legais da família da vítima apresentaram elementos para sustentar a suspeita de violência. Entre eles, um boletim de ocorrência de 2009, registrado por uma ex-esposa do militar, que descreve comportamento agressivo e ameaças.
Segundo o relato, o tenente-coronel "mantém vigilância sobre a vítima impedindo que esta se relacione com outra pessoa, ameaçando, inclusive, de morte".
Além disso, foi apresentada uma denúncia feita por uma policial subordinada a ele, que o acusa de perseguição e assédio moral. De acordo com o advogado da família, o caso resultou em condenação judicial.
"Ele tem uma condenação por danos morais de uma policial que foi vítima de acusações falsas e perseguições e o Estado, porque quem responde ao Estado, foi condenado na importância de R$ 5 mil para realizar o pagamento que está em execução", disse o advogado.
No dia 10 de março, a investigação da morte da soldado foi oficialmente enquadrada como feminicídio. A defesa do tenente-coronel informou ao Terra que aguarda a decisão do Judiciário.
*Com informações do Estadão
