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BBB24: Leidy precisa sangrar para que Yasmin possa sorrir

Não são só pessoas brancas que não sabem lidar com pessoas negras de igual para igual. Muitos de nós acabam caindo na armadilha do "afeto"

12 mar 2024 - 09h22
(atualizado às 09h22)
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Leidy tem chance de sofrer rejeição maior do que a de Davi por ser mulher e por ser uma pessoa retinta
Leidy tem chance de sofrer rejeição maior do que a de Davi por ser mulher e por ser uma pessoa retinta
Foto: Reprodução/TV Globo

Do mesmo jeito que fiz um texto ponderando as atitudes de Lucas Henrique, preciso fazer também sobre a Leidy Elin. Ela ainda tem chance de sofrer uma rejeição maior do que a dele por ser mulher e por ser uma pessoa retinta. Ontem, após o sincerão, ela brigou de novo com Davi e jogou as roupas dele na piscina, além de ter xingado e provocado com falas como “encosta em mim”. Para a emissora, para o público em geral e para os racistas, dentro e fora da casa, isso é um prato cheio.

O racismo contra a Leidy não é novidade e nem precisou do episódio de ontem para ficar escancarado. Ela já foi chamada de mucama, capitã do mato e coisas nesse sentido por ter um histórico de “defender” pessoas brancas do Davi, um jovem negro que, assim como ela, é preto retinto e periférico.

Já até foi postado nas redes sociais foto do rosto dela e de Yasmin Brunet, sendo que o gosto da Leidy estava em uma cadela e a da Brunet na tutora que mantinha o cachorro sob sua custódia. Se não ficou nítido, estou fazendo uma crítica a quem se direciona à Leidy dessa maneira.

E já que estamos falando da Yasmin, está aí a pessoa que, ao meu ver, tem grande responsabilidade sobre algumas das atitudes da Leidy. Para falar sobre isso, não tem como a gente excluir o fato de Yasmin Brunet ser uma mulher loira, rica e famosa, que, possivelmente, não está acostumada a lidar com pessoas negras, sobretudo periféricas, de igual para igual.

A maioria das pessoas que saem de onde Yasmin vem só tem acesso a pessoas pretas quando estão disponíveis para tornar o ambiente delas mais agradáveis e facilitados. E, por mais que Brunet possa não ter consciência plena sobre isso, a forma que ela lida com Buda, Leidy e Davi deixa muito claro onde mora a zona de conforto e onde ela fica perdida sem entender nada.

Com Leydi e Buda, fica a impressão que Yasmin está o tempo todo com a narrativa nas mãos. Não é contrariada, não é posta em cheque, nem ao menos rola questionamentos moderados sobre suas condutas. Já Davi é o inverso disso.

Desde o primeiro contato com ela, lá no início do BBB24, ainda quando os pipocas estavam tateando os camarotes, ele chegou para Brunet, de igual para igual, olhando no olho, e disse que ela iria se queimar e ser cancelada se ficasse andando com determinado grupo. Disse também para ela ter cuidado para não se perder e finalizou com: "No dia que eu tiver interesse de colocar você ou qualquer um aqui no Paredão, você vai sentir”. Eu posso imaginar qual não foi a surpresa dela ao ver aquele cara, motorista de aplicativo, PRETO, de 21 anos, falando com ela como, e o próprio Davi usou essa palavra, "amigo".

Agora é um parágrafo duro, onde tenho que escolher bem as palavras e preciso salientar que é tudo na base da suposição. Leidy, assim como muitas pessoas negras e periféricas, veem no perfil da Yasmin uma pessoa quase que inalcançável, uma pessoa que elas estão acostumadas a servir e, por vezes, acham que um "bom dia", "obrigado" e um "por favor" já é algo demais. Imagina só estar ali, em rede nacional, passando o dia a dia, dando conselhos e podendo confortar suas dores? Ouvir da boca que, historicamente, só se dirige a você para pedir, que você é muito especial? Aí, essa mesma boca passa o dia falando mal de um cara que, não por coincidência, tem a mesma origem que você, demonizando esse rapaz, chamando-o de psicopata, machista e coisa pior? Em resumo, um corpo que você não tinha acesso enquanto “amiga” que te enaltece o tempo todo, que você enxerga nela uma fragilidade e docilidade imensa, se colocando enquanto vétima de um homem negro “perigoso”. Quais as reações oriundas disso?

Uma vez ouvi de uma menina negra e periférica que só foi pensar raça de maneira mais elaborada na universidade porque no seu meio, onde todos eram negros e pobres, a diferença mais latente era a de gênero, e era com essa que ela tinha que lidar com maior frequência.

Digo isso porque, por mais que a Leidy já tenha mostrado que tem noção racial quando repreendeu Luigi no episódio em que a chamou de "macaca", me parece que ela comprou o discurso de um Davi machista de uma maneira que ela não pondera de onde partem as acusações, que são de mulheres brancas que não estão acostumadas de lidar com pessoas como Davi de igual para igual e que aparentam se ofender como tudo que não seja “sim, senhora”.

E aí a gente pôde ver dentro do programa que isso veio de brancas que nem rica são, pessoas brancas que se relacionam com branco de origem periférica no programa, ou seja, de pessoas brancas de vários atravessamentos distintos.

Para além de todas as problemáticas apontadas, é muito necessário ver como tem muitas pessoas, com perfil similar ao da Yasmin e que torcem para ela, aplaudindo Leidy por ter comprado o barulho da Brunet e se colocado na frente dela em seus embates com Davi. Pessoas que jamais estariam gostando da Leidy Elin se ela não tivesse atendendo um desejo pessoal delas. Não existe pauta para essa galera, o que existe são os anseios de ver suas pessoas negras se degladiando para uma branca ficar ao fundo sorrindo com o espetáculo e se entretendendo vendo o circo que ela montou pegar fogo.

Eu só espero que as pessoas tenham a mesma condescendência com a Leidy que tiveram com a Wanessa e terão com a Brunet, e não tiveram com a Lumena e Karol Conka. Agora, eu pergunto com quem mais a Leidy se parece e você entenderá a preocupação do que pode ocorrer com ela no final do programa. E não tenha dúvida que mesmo ela não sendo o cerne da questão, ela sairá com uma rejeição maior do que a de Yasmin Brunet.

Fonte: Redação Nós
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