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Jovem com autismo lança livro sobre carreira

Em 'Imperfeitos', Julie Goldchmit, diagnosticada com TEA, relata como a inclusão no mercado de trabalho transforma vidas

21 abr 2022 05h10
| atualizado às 15h59
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A jovem Julie Goldchmit, de 25 anos, que tem autismo, é assistente de marketing na Unilever e pretende ser embaixadora da diversidade na empresa
A jovem Julie Goldchmit, de 25 anos, que tem autismo, é assistente de marketing na Unilever e pretende ser embaixadora da diversidade na empresa
Foto: Taba Benedicto

Vendo o sofrimento da filha, o pai ofereceu trabalho, mas ela queria estar em uma empresa grande. E, no dia 13 de maio de 2019, Julie começou a atuar na multinacional Unilever. "As pessoas me cumprimentavam, sorriam, conversavam comigo e se colocavam à disposição para me ajudar no que eu precisasse. A primeira semana foi de integração. Conheci pessoas novas, passei a tomar café e até almoçar com elas. Pela primeira vez, eu tive a oportunidade de levar marmita e almoçar com duas amigas que fiz nos meus primeiros dias na empresa", afirma a assistente de marketing.

Mas teve um bastidor antes dessa chegada: Julie fez uma espécie de guia para os colegas de empresa. "Eu tinha feito um 'mapa' de como eu funciono: trabalhar 4 horas, café e que necessito que as coisas sejam explícitas", diz.

Assim como algumas pessoas que têm TEA, Julie apresenta dificuldade em lidar com situações que mudam a rotina de maneira abrupta, como o adiamento de reuniões ou esperar muito algo ocorrer. "Outro dia, fiquei muito chateada quando uma reunião atrasou."

Em 2019, a Unilever lançou um compromisso em escala global de, até 2025, se tornar referência dos profissionais com deficiência. Planejado para ser totalmente acessível, o Programa de Estágio 2021 conseguiu alcançar pela primeira vez 5% de pessoas com deficiência na turma contratada. De acordo com o IBGE, mais de 17 milhões de pessoas com mais de 2 anos de idade vivem com alguma deficiência no Brasil.

Em outubro de 2021, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) lançaram um guia de inclusão no mercado de trabalho. Julie pretende virar analista e ser embaixadora da causa na Unilever. "Para pessoas com deficiência, digo que também vão achar uma vaga, independentemente de tudo. Pode ser mais demorado, mas a gente encontra o nosso lugar." A jovem quer mostrar que a inclusão de profissionais que têm autismo é um ganho para empresas e sociedade.

Estadão
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