Os carros chineses não são o novo Android, e sim o novo iPhone
O verdadeiro rival não vem do Vale do Silício, como temiam os fabricantes ocidentais, mas sim de Shenzhen, Wuhu e Zhengzhou
Durante alguns anos, o pesadelo das montadoras europeias teve um nome específico: o cenário Android. Tratava-se da ideia de que o Google, a Apple ou a Amazon entrariam no segmento automotivo para transformar o carro em um hardware intercambiável. Que o valor migraria para softwares de terceiros e as montadoras ficariam reduzidas a fábricas infladas, como os fabricantes de PCs nos anos 90.
Esse medo manteve as montadoras em alerta, olhando para o Vale do Silício, investindo muito dinheiro em seus próprios sistemas de conectividade e infoentretenimento, tentando não ficar para trás.
Eles estavam vigiando a porta errada.
O movimento que está acontecendo não é equivalente ao do Android. É exatamente o oposto, pelo menos onde mais dói: a BYD fabrica suas próprias baterias, seu próprio sistema operacional e opera sua própria rede de carregamento. A Xiaomi faz praticamente o mesmo com o HyperOS. A lógica não é criar uma plataforma onde outros monetizam, mas controlar cada centímetro da experiência, sem intermediários. Isso tem um nome que todos reconhecemos, e não é o do Google. É o da Apple.
O paradoxal é que o cenário Android que tanto temiam os europeus realmente está acontecendo, mas não é protagonizado pelas grandes empresas de tecnologia dos EUA — as próprias montadoras europeias estão construindo isso:
- A Stellantis clonando plataformas.
- A Renault fabricando carros da Nissan e da Ford.
- A Volkswagen fazendo o mesmo com a Ford.
As montadoras generalistas europeias se tornaram ...
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