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Por que mulheres pagam mais caro no seguro do carro se homens se envolvem em mais acidentes?

Entenda as diferentes perspectivas e recortes de gênero na precificação das apólices

24 mar 2026 - 08h26
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Durante anos, a ideia de que mulheres pagam menos no seguro do carro foi tratada quase como regra. A justificativa sempre foi estatística: elas se envolvem menos em acidentes graves e, portanto, representam menor risco às seguradoras.

Mas, na prática, esse cenário começa a mudar. Um levantamento da Creditas mostra que, em 2025, enquanto o preço médio do seguro para homens teve queda singela de 1,5% — de R$ 2.535,07 em janeiro para R$ 2.496,16 em dezembro —, para mulheres houve aumento de 2,5%, com a média subindo de R$2.721,90 para R$2.792,46 no mesmo período.

O estudo considera as cotações nas onze capitais brasileiras de maior representatividade no mercado automotivo (segundo ranking da Fenabrave) e analisa os dez modelos de veículos mais vendidos em cada período, com perfil fixo de segurado (35 anos, casado/a).

O resultado chama atenção: no recorte analisado, mulheres passaram a pagar mais do que homens.

Como as seguradoras determinam o que é risco?

Mas esta não é apenas mais uma matéria sobre seguro de carro. A discussão aqui vai além do valor da apólice ou do reajuste anual. O que está em jogo é a forma como o mercado precifica risco, interpreta comportamento e aplica diferentes metodologias que, na prática, impactam diretamente o bolso de homens e mulheres.

A reportagem do Jornal do Carro analisou diferentes perspectivas sobre a precificação das apólices: o que dizem as seguradoras, o que mostram os números de sinistros e como as metodologias de cálculo influenciam o resultado final. Porque, na prática, parte das mulheres já está pagando mais, mesmo sem evidências claras de que se tornaram motoristas mais arriscadas.

Tendência geral ainda favorece mulheres

Em bases nacionais mais amplas, a diferença tradicional permanece.

O relatório da TEx — empresa da Serasa Experian, apresenta os dados do IPSA (Índice de Preços do Seguro Auto) e o IPSM (Índice de Preços do Seguro Moto). Os indicadores mostram o percentual médio do valor do seguro em relação ao valor do veículo, com base nas apólices cotadas na plataforma da TEx em todo o Brasil.

No apanhado do ano, no seguro de automóveis, o índice masculino caiu de 5,6% para 4,7%, enquanto o feminino recua de 5,0% para 4,3%.

Embora ambos os perfis tenham acompanhado o movimento geral de oscilação do mercado, a diferença se manteve consistente, com prêmios mais elevados para o público masculino.

O levantamento também indica que o gênero influencia o preço, mas não de forma isolada: fatores como idade, região, tipo de veículo e classe de bônus têm peso relevante na composição do valor final da apólice.

Os estudos são contraditórios?

Os dois estudos consideram diferentes metodologias. Enquanto o IPSA e o IPSM calculam o custo do seguro como percentual sobre o valor do veículo, a partir de uma base nacional ampla e com múltiplos perfis de consumidores, funcionando como um termômetro macro do mercado, o estudo da Creditas apresenta valores nominais das apólices em reais, considerando os dez modelos mais vendidos em 11 capitais e um perfil fixo de segurado (masculino e feminino, 35 anos, casado (a)).

Assim, o IPSA e o IPSM captam tendências estruturais do setor, enquanto o levantamento da corretora reflete variações mais concentradas em determinados modelos, regiões e perfis específicos.

2026 começa com respiro

O novo relatório do TEx, antecipado com exclusividade ao Jornal do Carro, analisa a evolução dos preços do seguro de automóveis (IPSA) e motos (IPSM) entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.

No primeiro mês do ano, o IPSA ficou em 4,7% e o IPSM em 8,8%, ambos próximos dos menores níveis do período analisado, consolidando a desaceleração observada no segundo semestre de 2025.

O estudo mostra que, na visão geral, homens pagam mais que mulheres; jovens de 18 a 25 anos desembolsam mais que o dobro do que condutores acima de 56 anos e que a região é determinante, com diferenças superiores a 100% entre capitais como Rio de Janeiro e Curitiba.

Também pesam a idade do veículo — modelos de 6 a 10 anos pagam 110% a mais que zero km —, o valor do carro, o tipo de combustível, a franquia e fatores como bônus, CEP, fabricante e tipo de uso, que juntos explicam mais de 70% da formação do preço.

O que muda na prática

No fim das contas, a discussão não é apenas sobre quem paga menos ou mais, mas sobre como o risco é interpretado e traduzido em preço.

Os dados de trânsito seguem indicando maior envolvimento masculino em sinistros. Ao mesmo tempo, parte das cotações recentes mostra mulheres pagando valores superiores em determinados perfis e capitais. A explicação passa por mudanças no comportamento social, no uso do veículo e, principalmente, nos critérios adotados pelas seguradoras.

O que antes parecia uma regra consolidada, hoje depende do recorte analisado. E, para a consumidora que faz a cotação, o que pesa não é a estatística histórica, é o valor que aparece na tela.

Estadão
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