Hyundai Ioniq 9 é SUV com sala de estar e IA que reconhece o piso e ajusta a direção automaticamente
Modelo elétrico tem mais de 600 km de alcance e pode chegar a 100 km/h em só 5 segundos com potência de 422 cv e 70 kgfm
O Hyundai Ioniq 9 foi uma das grandes atrações do estande da Hyundai no Salão do Automóvel 2025. E não era para menos. O SUV de grande porte comporta de seis a sete pessoas (dependendo da versão), pode oferecer uma sala de estar e ainda traz muita tecnologia embarcada — com direito a inteligência artificial.
O Jornal do Carro teve a oportunidade de dirigir o Ioniq 9, pois o modelo ganhou como melhor SUV Grande no WWCOTY — única premiação automotiva do mundo composta exclusivamente por um júri feminino, formado por 86 jornalistas especializadas de 55 países.
E eu tenho um orgulho enorme de ser uma das duas juradas a representar o Brasil nessa premiação tão importante. Justamente por isso, a Hyundai convidou jurados de prêmios internacionais para testar o Ioniq 9 em primeira mão e pude ter este contato com o modelo.
O que é o Hyundai Ioniq 9?
Vale uma breve apresentação do modelo, que traz em seu nome o DNA voltado para a eletricidade e apresenta uma plataforma desenvolvida para a mobilidade eletrificada, a E-GMP. Essa arquitetura tem 800 volts, e essa condição permite uma recarga bem mais rápida (em cerca de 20 minutos em estações rápidas de 350 kW), além de outros benefícios.
No Brasil, vale frisar, a Hyundai só tem à venda o Ioniq 5, hatch médio elétrico que chegou em novembro de 2024 e não tem se destacado nas vendas.
Já o SUV Ioniq 9 não tem planos de vir ao nosso mercado oficialmente. Contudo, segundo a Hyundai, pode figurar em alguns países específicos da América Latina. O modelo veio para o Brasil apenas para demonstração e desembarcou em duas versões: ambas têm tração integral, mas uma vem equipada com seis lugares e outra com sete.
São três versões vendidas na Europa: a Long-Range, com tração traseira e motor elétrico com 215 cv, a AWD, tração integral, com dois motores que rendem até 303 cv e a Performance AWD com potência combinada de 422 cv.
O porte do Ioniq 9 impressiona por ter mais de 5 metros de comprimento e 3,13 metros de entre-eixos. A área envidraçada reduzida faz com que ele pareça ainda maior do que é.
Visual do Ioniq 9
O design também chama a atenção por ostentar na dianteira um conjunto óptico pixelado de forma interligada e os faróis principais posicionados nas extremidades do para-choque.
Na traseira, a lanterna forma uma moldura na tampa do porta-malas e se ilumina completamente quando o freio é acionado. A capacidade de carga salta aos olhos por oferecer 338 litros mesmo com as três fileiras de bancos montadas. O volume aumenta para 908 litros com duas fileiras de assentos e chega a 2.419 litros com as duas fileiras rebatidas.
Além do espaço interno generoso, vale o destaque para o quanto que o Ioniq 9 prioriza o conforto. Há bancos com ventilação e massagem na primeira e segunda fileiras. Há até uma função massageadora chamada de Ergo-motion, que utiliza pressão e vibração para estimular o fluxo sanguíneo e a circulação, reduzindo a fadiga em viagens longas, segundo a marca.
A segunda fileira de bancos traz duas configurações: inteiriça com três lugares ou dois bancos individuais. Nesta segunda disposição há a possibilidade dos assentos serem giratórios, tornando o espaço interno uma espécie de sala de estar. Infelizmente, a versão que conta com essa configuração não veio para demonstração no Brasil.
Tecnologia embarcada
Há duas telas sensíveis ao toque interligadas de 12", sendo uma para o quadro de instrumentos e a outra para a central multimídia, que está voltada para o motorista, favorecendo a ergonomia.
A central traz conexão com Apple Car Play e Android Auto sem fio. Diferencial, porém, é a assistente com Inteligência Artificial que se comporta como uma espécie de Alexa.
E a IA também está presente nos modos de condução. O sistema ajusta a entrega de torque e a sensibilidade da direção com base no histórico de comportamento de quem está ao volante. Há uma calibração da condução para oferecer um equilíbrio entre conforto e eficiência.
E é curioso saber que não há antena de teto e o Ioniq 9 é o primeiro modelo da Hyundai a eliminar essa peça. As suas funções são divididas entre a tampa do para-brisas (para GPS e rádio por satélite), o painel de instrumentos (para serviços de carro conectado) e o vidro da tampa do porta-malas (para rádio FM/AM e Digital Multimedia Broadcasting).
Para completar a lista de curiosidades, o console central traz ainda um esterilizador que pode desinfetar pequenos itens como celulares, carteiras e máscaras. É uma função nada dispensável nos tempos atuais.
Ao volante do Hyundai Ioniq 9
Não tivemos um contato extenso com o SUV, mas foi o suficiente para sentir a aceleração progressiva dos dois motores elétricos, que combinados geram até 422 cv.
O comportamento dinâmico é exemplar graças a disposição do conjunto de baterias no assoalho do Ioniq 9. Isso deixa o SUV naturalmente mais assentado. Contornei curvas fechadas em velocidades mais elevadas e a carroceria se manteve estável.
O silêncio a bordo também é digno de nota, pois nem o ruído do tráfego intenso invade a cabine graças aos vidros laterais laminados que naturalmente barram o som externo. Temos ainda a aplicação de pneus que absorvem o som e minimizam a ressonância destes e um isolamento acústico desenvolvido para reduzir o ruído de baixa frequência gerado durante a condução.
A bateria de íons de lítio de alta tensão oferece 110,3 kWh de energia do sistema. Estima-se que o Ioniq 9 atinja autonomia totalmente elétrica de 620 km no ciclo europeu (WLTP). O SUV ainda é capaz de realizar o carregamento da bateria, de 10% a 80%, em apenas 24 minutos por meio de carregador de 350 kW.
Com essa autonomia, o Ioniq 9 seria um dos modelos elétricos com o maior alcance do Brasil e, sem dúvidas, um dos mais tecnológicos. No entanto, ele não está nos planos da marca por aqui. Mesmo assim, me convenceu que merecia um voto no WWCOTY como o melhor SUV de grande porte.