Dodge Charger Super Bee desbanca o lendário Hellcat na arrancada até 100 km/h
Edição limitada troca o V8 sobrealimentado por um motor 3.0 biturbo de 600 cv, é mais rápida até os 100 km/h, mas perde no quarto de milha
A Dodge apresentou nesta semana o novo Charger Super Bee Launch Edition, versão de produção limitada que marca o retorno do nome "Super Bee" ao catálogo da marca americana, agora pertencente à Stellantis, mesma controladora de Fiat, Jeep e Peugeot no Brasil. O carro chama atenção por um detalhe que até pouco tempo seria impensável para um símbolo do desempenho da Dodge: debaixo do capô não há mais um V8, e sim um motor seis cilindros em linha, 3.0 litros, biturbo.
Apesar da redução de cilindros, a Dodge garante que o novo Super Bee entrega 600 cv de potência e 720 Nm de torque, valores obtidos com turbocompressores Garrett maiores, de 56 mm, operando a 30 psi de pressão, além de escapamento revisado, nova admissão de ar e um software recalibrado que melhora a resposta do acelerador e a eficiência do sistema de largada, o Launch Control. O resultado prático é que o carro acelera de 0 a 100 km/h em 3,6 segundos, marca ligeiramente mais rápida que a do lendário Charger Hellcat de 2015, que usava um V8 sobrealimentado de 707 cv e cumpria a mesma tarefa em 3,7 segundos.
A vantagem, no entanto, desaparece na arrancada mais longa. No quarto de milha, medida tradicional do desempenho em pista reta nos Estados Unidos, o Super Bee cravou 11,8 segundos, contra 11,0 segundos do Hellcat original, uma diferença de 0,8 segundo que mostra os limites de um motor menor mesmo turbinado. Ainda assim, na comparação com a versão Super Bee anterior, de 2023, que rendia 485 cv, o salto é expressivo: 115 cv a mais e meio segundo a menos até os 100 km/h.
Para o consumidor brasileiro, vale lembrar que a Dodge não tem operação oficial no país desde o início da década passada, quando a marca deixou de vender veículos novos por aqui. Isso significa que o Charger Super Bee só chegaria ao Brasil pelas mãos de importadoras independentes, processo que costuma multiplicar o preço final do carro por conta de impostos de importação, que podem ultrapassar 100% do valor do veículo, além de taxas alfandegárias e adaptações exigidas pelo Contran para homologação. A própria Dodge ainda não revelou o preço do Super Bee nos Estados Unidos, prometendo divulgar os valores somente mais adiante neste ano.
Além do ganho de potência, a Dodge reforçou a estrutura do carro para lidar com o calor gerado em pista. A capacidade de arrefecimento subiu mais de 50%, graças a uma nova dianteira com grade e entradas de ar maiores, que alimentam radiadores auxiliares inéditos. Os freios também cresceram: as pastilhas são 27% maiores, encaixadas em pinças Brembo de seis pistões na dianteira e quatro na traseira, mordendo discos de 16 polegadas nos quatro cantos. Os pneus são Goodyear Eagle F1 Supercar 3, medida 305/35, montados em rodas aro 20 de 11 polegadas.
A suspensão também passou por ajustes, com novos amortecedores adaptativos de válvula dupla, molas dianteiras 12% mais rígidas e traseiras 6% mais rígidas, além de barra estabilizadora traseira 20% mais firme. O carro ainda ganhou um modo de tração traseira exclusiva, que desliga o sistema integral e permite deslizamentos controlados, recurso inspirado no BMW M3 e inédito entre os Chargers turbinados. Completam a lista de novidades os modos Track e Drag, o sistema Torque Reserve para arrancadas repetidas e um gravador de dados de condução com câmera integrada.
Visualmente, a edição de lançamento chega nas cores Sucker Punch, um verde limão vibrante, e Diamond Black, para quem prefere discrição, ambas com detalhes em preto fosco. No interior, os destaques ficam por conta de encostos de cabeça bordados, costura contrastante, volante esportivo em couro e um painel de instrumentos digital exclusivo. A Dodge confirmou apenas que a produção será limitada, sem detalhar o número de unidades nem a data exata de abertura das reservas.
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