Bancos aquecidos viram o item mais desejado por quem vai comprar carro novo nos EUA
Pesquisa com 19 mil motoristas surpreende ao colocar o conforto térmico à frente de sensores de estacionamento e freio automático de ré
Um levantamento da consultoria americana AutoPacific, feito com mais de 19 mil motoristas dos Estados Unidos que pretendem comprar um carro novo nos próximos três anos, revelou que o item mais desejado da lista não é nenhuma tecnologia de ponta cheia de sensores, mas sim algo simples: o banco aquecido. Quase metade dos entrevistados, 47%, apontou o recurso como prioridade, superando opções como tração integral, carregador de celular sem fio e piloto automático adaptativo.
O resultado chama atenção porque, segundo a própria pesquisa, os bancos aquecidos nem sequer apareciam entre os 15 itens mais votados no levantamento do ano anterior. A explicação mais provável está no custo baixo do recurso, que agrega em média pouco mais de 150 dólares ao preço do veículo, e no efeito imediato de conforto que ele proporciona em dias frios, algo que dificilmente qualquer outro item de série consegue entregar por tão pouco dinheiro.
Logo atrás, em segundo lugar, ficaram os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, citados por 45% dos entrevistados, mesmo custando em média mais de 400 dólares. Em terceiro veio o freio automático de emergência para marcha à ré, sistema que usa sensores e câmera traseira para identificar risco de colisão ao dar ré e frear sozinho, escolhido por 44% das pessoas e com custo médio de apenas 50 dólares. Completam a lista itens como piloto automático adaptativo com centralização de faixa, carregador sem fio e tração integral, esta última avaliada em até 2 mil dólares a mais no preço final.
No Brasil, o cenário é bem diferente do americano, onde o inverno rigoroso em boa parte do território torna o banco aquecido quase item de sobrevivência. Por aqui, o recurso ainda é raro e concentrado em modelos importados ou de ponta de linha, geralmente vendidos como opcional em SUVs e sedãs premium de marcas como Volvo, BMW e Mercedes-Benz. Mesmo em usados que circulam no mercado nacional, nomes como Hyundai Azera, Ford Fusion e Chevrolet Equinox costumam ser lembrados justamente por trazerem esse diferencial, hoje discontinuados na linha nova do país.
A baixa oferta tem explicação direta no clima: fora da Região Sul e de trechos serranos do Sudeste, onde o frio intenso aparece por poucas semanas no ano, a demanda por aquecimento no banco não justifica, para as montadoras, o custo extra de engenharia em carros populares. Ainda assim, o dado da pesquisa americana serve de termômetro para o setor automotivo global, já que fabricantes costumam usar esse tipo de levantamento para decidir quais opcionais entram de série em versões topo de linha vendidas também na América Latina, incluindo o Brasil.
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