SUVs de luxo perdem espaço para marcas populares nos EUA, mostra estudo
Pesquisa da J.D. Power mostra que quase 1 em cada 3 donos de SUV premium nos EUA trocou por marca popular no 1º semestre de 2026
Um novo levantamento da consultoria J.D. Power mostra que os SUVs de marcas premium estão perdendo terreno para os modelos populares nos Estados Unidos. Segundo o Automotive OEM Intelligence Report, divulgado nesta semana, 32% dos consumidores que trocaram um SUV médio de luxo optaram por um veículo de marca não premium no primeiro semestre de 2026. No segmento compacto, o índice de migração chegou a 42%. Como resultado, a fatia das marcas de luxo no total de vendas de veículos novos nos EUA caiu para 13,3%, a menor desde 2020.
O motivo, segundo o estudo, não é apenas o preço. Recursos que antes eram exclusividade de marcas como BMW, Lexus e Cadillac, telas grandes de infotainment, bancos aquecidos e pacotes robustos de tecnologia embarcada, hoje vêm de série em modelos mainstream como Toyota RAV4, Honda CR-V e Ford Explorer. A diferença de preço médio também pesa: os SUVs populares comprados custaram em média 51.500 dólares, contra 70.600 dólares dos modelos premium entregues na troca. Outro dado do levantamento reforça essa aproximação: o hiato de satisfação emocional entre marcas de luxo e populares, medido pelo estudo APEAL da própria J.D. Power, caiu de 66 pontos em 2008 para apenas 29 pontos em 2026, numa escala de mil pontos.
O fenômeno interessa ao consumidor brasileiro porque o país vive um movimento parecido, ainda que com contornos próprios. Por aqui, os SUVs já são disparados a carroceria preferida: segundo dados da Fenabrave, eles respondem por quase metade dos emplacamentos de automóveis, com modelos populares como Hyundai Creta, Volkswagen T-Cross e Jeep Compass no topo do ranking geral, muito à frente de qualquer concorrente de luxo. Ou seja, no Brasil o SUV popular nunca deixou de ser o mainstream dominante, diferentemente dos EUA, onde o segmento de luxo historicamente teve peso maior.
No topo da pirâmide brasileira, o mercado premium também mostra sinais de disputa acirrada. Entre janeiro e maio de 2026, as marcas de luxo somaram cerca de 22 mil emplacamentos no país, segundo a consultoria K.Lume, com BMW e Mercedes-Benz brigando ponto a ponto pela liderança, seguidas por Volvo, Porsche e Audi. A novidade fica por conta da entrada de marcas chinesas nesse território antes dominado pelos europeus: a Denza, marca premium da BYD, já aparece entre as dez mais vendidas do segmento logo no primeiro ano de operação no país, puxada justamente por um SUV híbrido plug-in.
Essa chegada de marcas chinesas com preço competitivo e tecnologia de ponta é apontada pelo próprio estudo americano como um fator que pressiona as montadoras tradicionais a acelerar melhorias em seus carros populares, movimento que também se observa no Brasil com o avanço de marcas como GWM e BYD nos rankings de SUVs médios e grandes. O recado para quem pensa em comprar um SUV este ano é que a diferença técnica entre um modelo de entrada e um de grife está cada vez menor, o que deixa a decisão de compra mais concentrada em prestígio de marca, rede de assistência e experiência de atendimento do que propriamente em equipamentos exclusivos.
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