Confusão: Anfavea critica importações da BYD, que se defende
Entidade solta comunicado com críticas ao modo de operação da chinesa, que responde afirmando trabalhar para a reindustrializar o setor
Anfavea critica estoque excessivo da greentech chinesa e diz que isso pode atrapalhar a recuperação do mercado; BYD responde e diz que seu compromisso é ajudar a "reindustrialização do setor automotivo"
A Anfavea emitiu na tarde desta quarta (5) um comunicado em que critica a chegada do navio Explorer 1, da BYD - clique aqui para saber mais -, que trouxe pouco mais de 5,5 mil carros ao país na semana passada.
A entidade acredita que o estoque em excesso e a demora no aumento do Imposto de Importação prejudicará a reconstrução do setor automotivo brasileiro. A BYD deu a resposta na noite desta mesma quarta, afirmando que segue compromissada com a reindustrialização do setor automotivo brasileiro e que os estoques têm como objetivo atender à demanda do mercado até que a produção local seja iniciada em 2025.
Abaixo, vamos publicar, na íntegra, o comunicado da Anfavea (Associação das Fabricantes de Veículos Automotores) e depois o da BYD, para que o leitor do Terra Mobilidade tire sua própria conclusão.
A ANFAVEA recebe com preocupação a chegada de um navio com mais de 5,5 mil automóveis, num momento em que já há mais de 40 mil unidades importadas em estoque em nosso país.
Há cerca de um ano alertamos o governo federal sobre a necessidade de recompor imediatamente a alíquota de 35% de Imposto de Importação (II) para veículos híbridos e elétricos, na tentativa de evitar um desequilíbrio no comércio exterior que possa afetar ainda mais a produção, os investimentos e os empregos na cadeia automotiva brasileira.
Desde julho de 2024, o II é de 18% para elétricos, 20% para híbridos plug in e 25% para híbridos. Nenhum país do mundo, com indústria automotiva instalada, tem uma barreira tão baixa para as importações, o que torna o nosso importante mercado um alvo fácil, especialmente para modelos que estão sendo barrados por grandes alíquotas na América do Norte e na Europa. Elas são de 100% nos EUA e Canadá, e podem chegar a 48% na Europa.
Essa alíquota vem se mostrando insuficiente para evitar uma importação sem precedentes no Brasil. No ano passado, mais de 120 mil veículos, com origem chinesa, por exemplo, foram vendidos em nosso país, um volume três vezes maior do que em 2023, isso sem considerar os cerca de 55 mil veículos que viraram o ano em estoque.
A indústria automotiva brasileira vem num ritmo de recuperação, após uma década de crises econômicas, somadas aos efeitos da pandemia. No ano passado, foram anunciados mais de R$ 180 bilhões em investimentos dos fabricantes de veículos e autopeças, boa parte para o desenvolvimento de modelos eletrificados.
E nosso setor ainda terá, por conta do Programa MOVER - Mobilidade Verde e Inovação - de investir R$ 60 bilhões em P&D (Produto e Desenvolvimento). Sem um equilíbrio saudável na balança comercial, essa indústria que gera mais de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos estará sob forte ameaça.
Apoiamos, sim, a chegada de novas marcas ao Brasil, para produzir, fomentar o setor de autopeças, gerar empregos e trazer novas tecnologias. O que vemos, entretanto, são anúncios sucessivos de adiamento dos prazos de início de produção no país.
A ANFAVEA ratifica novamente ao governo federal o apelo para que seja apreciada, pelos órgãos competentes, a recomposição imediata dos 35% de II.
Importante, ainda, que a continuidade da política automotiva se concretize, por meio da publicação dos decretos do Programa MOVER, de forma a conferir maior previsibilidade aos investimentos de nossas empresas associadas.
Abaixo, o parecer da BYD.
A BYD reforça seu compromisso com a reindustrialização do setor automotivo no Brasil, a geração de empregos e a continuidade dos investimentos no país. Desde o início de suas operações em 2015, a empresa tem expandido sua presença nacional com fábricas em Campinas (SP) e Manaus (AM), fortalecendo a cadeia produtiva e investindo na produção local de veículos e baterias.
Em 2024, a BYD iniciou a construção de seu complexo industrial em Camaçari (BA), com um investimento de R$5,5 bilhões e a previsão de mais de 20 mil empregos diretos e indiretos.
Os exíguos estoques atuais de veículos importados da BYD têm como objetivo atender à crescente demanda do mercado até que a produção local seja iniciada em 2025. A expansão da empresa no Brasil inclui não apenas a fabricação de veículos, mas também um robusto plano de desenvolvimento tecnológico e sustentável, alinhado às diretrizes do Programa MOVER e ao compromisso com a transição energética do setor automotivo.
A BYD acredita que um ambiente regulatório equilibrado e previsível é fundamental para garantir a competitividade e a inovação no setor, permitindo que novas tecnologias e soluções sustentáveis cheguem aos consumidores brasileiros. A eletrificação da frota é uma tendência global e o Brasil tem a oportunidade de ser exemplo e se consolidar como um polo estratégico para a produção e comercialização de veículos eletrificados.
Com mais de 160 concessionárias em operação – também geradoras de milhares de empregos – e a meta de alcançar 250 até o final de 2025, a BYD segue investindo no Brasil para oferecer aos consumidores produtos inovadores, sustentáveis e acessíveis. A empresa reitera seu compromisso de longo prazo com o país e com o fortalecimento da indústria nacional, promovendo um ecossistema automotivo mais eficiente, moderno e competitivo.